Produção de banana no Território Velho Chico é revitalizada
Produtores familiares de Oliveira dos Brejinhos e Bom Jesus da Lapa, associados em Fundos de Pastos e beneficiados com a entrega de 280 mil mudas de bananas, cacau e goiaba, no último mês, apresentaram à Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia (Seagri), ontem, os resultados satisfatórios alcançados com o cultivo, em área de teste.
Eles também fizeram novos pleitos para viabilizar a agregação de valor à produção e minimizar as perdas nas propriedades, que giram em torno de 300 toneladas por mês.
Dentre as demandas apresentadas estão a implantação de três agroindústrias na região, a ampliação dos serviços de assistência técnica e incentivos para a diversificação com a cadeia da ovinocaprinocultura.
Bom momento – "Estamos vivendo um momento de celebração, depois de um período turbulento de quatro anos, quando nossas propriedades foram atingidas pelo fungo de solo conhecido como Mal do Panamá. As mudas são resistentes a pragas como essa e já foram testadas em propriedades familiares", disse a presidente da Cooperativa dos Produtores de Frutas de Bom Jesus da Lapa (Coofrulapa), Marlene Marques Boa Sorte.
Ainda segundo ela, a Agência de Defesa Agropecuária (Adab) tem monitorado e efetivado o controle da doença, além de realizar pesquisas e apresentar alternativas para o produtor.
Marlene afirmou também que "a agroindústria é extremamente importante porque aproveita uma sobra de produção de 300 toneladas por mês, desperdiçada. Precisamos viabilizar essa sobra, desprezada pelo mercado interno e externo e garantir a sustentabilidade necessária para o produtor, com geração de emprego e renda. Essa sobra pode se tornar um produto ainda para exportação, como doces, banana – passa e geléias". A estimativa é de que a iniciativa agregue 15% na renda do agricultor.
Beneficiamento: produtores agora querem agregar valor às frutas
A cooperativa integra o perímetro irrigado da Codevasf, do Projeto Formoso, no município de Bom Jesus da Lapa, que possui 928 lotes da agricultura familiar. Do perímetro, saem 650 caminhões com 7,2 toneladas de banana por mês. A área também foi contemplada pela Seagri, com a entrega de dois tratores com os implementos necessários, como grades de aração e subsolador, que beneficiará 300 famílias produtoras familiares.
Como alternativa para diversificação da produção, foram pleiteados incentivos à caprinovinocultura, a partir da viabilização da implantação de um frigorífico em Oliveira dos Brejinhos e a distribuição de kits de ensilagem forrageira.
Segundo o superintendente da Agricultura Familiar, Ailton Florêncio, o projeto da planta arquitetônica do frigorífico já foi produzido pela Adab e está orçado em R$ 1,1 milhão. "O que precisa é articular parcerias com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (Funcep) para viabilização do empreendimento."
O assunto será discutido hoje pelo secretário da Agricultura, Roberto Muniz, em Brasília, no Grupo de Monitoramento, do qual participam a Seagri e todos os movimentos sociais.
Fundo de Pasto: áreas coletivas são reconhecidas pelo Incra
As centrais e associações pleiteiam ainda, junto ao Governo do Estado, a formatação e o planejamento de um programa de Fundo de Pasto. Na Bahia, existem hoje 413 áreas coletivizadas, que envolvem um total de 16.438 famílias. Dessas áreas, 125 estão reconhecidas pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e 96 estão tituladas.
Segundo o coordenador de Reforma Agrária da Coordenação de Desenvolvimento Agrário (CDA), Leopoldo Mont’Alverne, os Fundos de Pastos constituem um sistema de ocupação coletiva de terras por grupo de famílias, com certo grau de parentesco, onde as propriedades têm uma área coletiva para o pastoreio extensivo de caprinos, ovinos e bovinos, com direito de uso comum pelo grupo de pastagem nativa.
Secundariamente, cada família participante tem uma pequena gleba, onde desenvolve agricultura de subsistência com o plantio de milho, feijão de corda, mandioca, melancia, entre outros, e, em alguns casos, pequenos plantios de palma forrageira.
"Cumpre ao CDA medir e regularizar essas terras, na forma de garantir a posse. Mas essas entidades têm reivindicações de todo o tipo, como infraestrutura hídrica", declarou Mont’Alverne.