Cafeicultores apostam em qualidade e diversificação
"Não adianta encarar o café como um simples hábito. Nós, produtores, temos que vender satisfação ao consumidor". As palavras de Luiz Suplicy Hafers, presidente da Associação Paranaense de Cafeicultores, indicam o caminho das pedras: para fortalecer o café brasileiro, é preciso agradar ao consumidor.
Apesar de ostentar o título de maior produção mundial, com 46 milhões de sacas colhidas na última safra, o café nacional tem se mostrado menos competitivo. Exemplo disso está na diferença de US 45 preço entre o Brasil e a Colômbia, segundo maior produtor mundial.
Para transformar o cenário atual, o setor cafeeiro deverá centrar esforços para diversificar e melhorar a qualidade dos grãos - uma aposta dos produtores para valorizar o café brasileiro no mercado interno e no exterior.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), Nathan Herszkowicz, vê no estímulo a cafés superiores uma boa alternativa. "Temos que ampliar o consumo através de oferta de um produto de maior qualidade. E há espaço para isso no Brasil", reforça.
Há cinco anos, diz, o Brasil não produzia cafés do tipo gourmet. Hoje, são 76 marcas registradas e certificadas. Atualmente, o segmento de cafés de alta qualidade representa cerca de 5% do consumo brasileiro, de acordo com dados da Abic.
Especiais - A Bahia, quarto produtor do País, também deve apostar neste nicho de mercado. Nos últimos anos, o café local tem sido reconhecido como um dos melhores do País, ganhando prêmios. Em 2006, o café produzido no município de Piatã foi premiado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais.
De acordo com Sílvio Leite, presidente do Centro Comercial de Café da Bahia, o Estado já está num novo patamar em termos de qualidade: "O café baiano hoje já chega aos principais mercados do mundo". Hoje, o Estado exporta somente 40% da produção para 32 países, como Estados Unidos, Bélgica e Alemanha.
O secretário de Agricultura da Bahia, Roberto Muniz, acredita que, com qualificação, é possível expandir o número de consumidores, criando diferentes níveis de preço do produto. "O café deve ser tratado como bebida nobre. É preciso fortalecer a cultura do consumo", ressalta Muniz.