Ajustes na cafeicultura brasileira

16/03/2009

Ajustes na cafeicultura brasileira

 


Os efeitos da desaceleração cambial afetaram até a tradicional Semana do Café em barra do Choça. Este ano, a região não promoverá aquele que seria a 12ª edição consecutiva do evento de alcance estadual. "Mesmo assim, o pequeno produtor vai continuar cultivando café de qualidade. Ele pode até reduzir a produção, mas a qualidade não será afetada", frisa o cafeicultor Israel Tavares Viana, o Ioza.

Antes da crise mundial, deflagrada no final do ano passado, a cafeicultura do Brasil já estava passando por um ajuste. Mesmo em função da recuperação dos preços do café em dólar nos últimos quatro anos, o câmbio ficou apertado de maneira que os cafeicultores não se aproveitaram dessa vantagem.

A observação foi feita por César Nery, fiscal do Ministério da Agricultura e um dos pioneiros da cafeicultura no Planalto de Conquista.

"O que existe hoje é um preço apenas razoável para aqueles que têm boa tecnologia e boa produtividade", explica Nery.

"Para os cafeicultores, os preços atuais empatam com o custo de produção, mas, para a cafeicultura brasileira e, particularmente a da Bahia e a nossa aqui, não há como sobreviver com esses preços", sustenta. Precavidos, os produtores mantêm um olho na lavoura e outro no mercado financeiro.

"A gente não vê perspectiva nem otimismo em relação ao futuro da cafeicultura como um todo", prossegue. "Claro que o café não vai desaparecer, mas não podemos esperar que essa seja uma cultura que dê satisfação e conforto aos produtores, como foi no passado, porque não existe uma política adequada para o café, nem garantia de preço", assinala.

Como sugestão, ele recomenda aos colegas que se organizem em associações e cooperativas que funcionem para que este seja o diferencial de mercado, com café de melhor qualidade e produtividade a um custo menor.