Acerola baiana para exportação

30/03/2009

Acerola baiana para exportação

 


O cultivo de acerola no Vale do São Francisco representa o sustento de quase 400 famílias, pois, em termos de receita, é bastante rentável o ano todo, em qualquer época do ano na região, devido à qualidade do solo e à temperatura, que não é inferior a 15º C. Em Juazeiro, o grosso da produção está localizado nos projetos dos distritos de Mandacaru, Curaçá e Maniçoba e, em Petrolina (PE), no projeto Nilo Coelho.

Mesmo com a presença, há algum tempo, da praga “pulgão” nas plantações irrigadas e, atualmente, com a crise financeira mundial que assola e preocupa os brasileiros, os produtores baianos estão conseguindo driblar os revezes e partiram para a diversificação dos negócios com a cultura irrigada e viram na agroindústria a saída para evitar maiores prejuízos.

Já do lado pernambucano, mesmo encontrando maneiras de não perder o investimento, a falta de empresas que trabalham com a industrialização da fruta preocupa. São mais de 900 hectares e uma produtividade média de 90 toneladas/ha/ano, uma receita bruta superior a R$ 9 milhões.

Além da saborosa fruta, polpas, sucos concentrados e, com a fruta verde, fabricação de um pó rico em vitamina C.

Para o produtor e presidente da Associação dos Produtores Irrigantes do Projeto Mandacaru (Apin), Pedro Bernardino da Silva, a produção da acerola é significante e a queda do preço no mercado não registrou grandes prejuízos no plantio.

A Niagro, instalada em Petrolina, fabrica polpas e sucos concentrados da fruta. “Estamos vendendo a um preço menor, mas em grande escala e organizada.

Mesmo com a mão-de-obra cara, dá para sobreviver e para pagar as despesas”, afirmou Silva.

O produtor está vendendo o quilo da fruta por R$ 0,60, antes comercializado a R$ 0,95. Já a acerola verde sai por R$ 0,80 e antes da crise mundial era repassada a R$ 1,40. “Um dos maiores consumidores da fruta são os Estados Unidos e Europa, por isso esta redução do valor na venda”, reconheceu Pedro.

A irrigação no plantio é feita com adubação 80% natural. “O adubo hoje utilizado não tem muito impacto, pois é quase 100% natural. Daqui para 2010, o processo de conversão será total”, informou. A diferença de preço é grande, mas segundo informações do presidente da associação, não deu para prejudicar os agricultores.

ESTRATÉGIA – Para Silveira, da Apin, a diversificação no mercado é a melhor estratégia para enfrentar as oscilações neste ramo de negócio. “Já trabalhávamos na fabricação das polpas há muito tempo e não especificamente pela existência da crise”.

O agricultor diz ainda que o cultivo na área está empregando mais pessoas, como alguns trabalhadores e catadores demitidos do projeto Nilo Coelho, local onde a situação está diferente.

“Desconhecemos o problema da praga ‘pulgão’ nos projetos baianos. A cultura possui um uso mínimo de agrotóxicos e não existe uso indiscriminado em função das orientações técnicas da Plantec, empresa que presta serviços técnicos para a Codevasf, além da exigência da Niagro, processadora e exportadora.

O padrão da qualidade da fruta deve ser rigoroso”, relatou o engenheiro agrônomo da Codevasf, Joselito Menezes.