Técnica exige maior atenção, mas qualidade é garantida

30/03/2009

Técnica exige maior atenção, mas qualidade é garantida

 


Numa ida ao supermercado, feira livre ou local onde se comercializam hortaliças, o que mais chama a atenção é se estão frescas e bonitas. Nem se passa pela cabeça qual o tipo de cultivo foi utilizado antes que os produtos cheguem a nossas mãos.

Quem já se preocupou em observar se a raiz de uma alface, rúcula ou até coentro estava suja ou não? Pouco importa, pois esta parte é descartável mesmo, certo? Errado: hoje já se sabe que estas raízes podem ser utilizadas como alimento e até como remédio natural, daí a importância de observarmos se eles foram cultivados em local seguro e limpo.

E é esta segurança que oferece a hidroponia, técnica agrícola onde se cultivam plantas sem a necessidade do solo como fonte de nutrientes necessários para o seu desenvolvimento, ou seja, as plantas são cultivadas na água, recebendo os nutrientes necessários para a sua sobrevivência de maneira segura e protegida.

VANTAGEM – Palavra grega que significa trabalho na água, a hidroponia no Brasil está cada vez mais difundida para o cultivo de diversos vegetais, sejam eles de que tipo ou estrutura forem.

A vantagem de se consumir um produto cultivado através da hidroponia é que o consumidor tem a certeza de que o produto está livre de contaminação por bactérias, larvas ou insetos que são comuns quando em contato com o solo.

E foi esta segurança que fez com que os irmãos Cláudio e Luiz Otávio Marcolin começassem a utilizar esta tecnologia no cultivo de hortaliças. Proprietários da Fazenda Aruana, no município de Alagoinhas, criada há 13 anos com o cultivo de nove hectares de palmito pupunha, resolveram diversificar e partiram para pesquisas de formas de cultivo.

“Em 1998, lendo o caderno A TARDE Rural, ficamos sabendo de um curso de hidroponia e resolvemos fazer; ficamos amigos de um dos agrônomos, que nos ajudou a fazer o projeto aqui na fazenda. No início, tivemos que enfrentar a postura rígida de meu pai, mas acabamos mostrando que dava certo e não mais paramos”, diz Luiz Otávio.

CUSTOS – O cultivo teve início com a alface crespa e atualmente eles plantam seis variedades, além de rúcula, coentro, salsa e manjericão. Os irmãosMarcolin explicam que a vantagem desta nova tecnologia é a redução no custo com área e água, embora o maior investimento seja na implantação do projeto, que fica em torno R$ 150/m².

“Após implantado, o custo reduz em cerca de 45%, já que passa a ser gasto cerca de R$ 30/m²”, diz, mas alerta que, apesar de ser mais fácil para manter o cultivo hidropônico, necessita de maior atenção do produtor. “É como se a planta estivesse na UTI e necessitasse de atenção durante 24 horas”, explica Cláudio Marcolin.

O produtor informou ainda que, embora tenha várias técnicas de cultivo, a mais fácil e utilizada na região é a NFT (Sistema de Filme Laminar de Nutrientes), onde as plantas são cultivadas em canos de PVC dentro de estufas com água hidratando por 24 horas. “Mas, para se ter uma boa produção, é necessário que a água tenha boa qualidade, pois ela é a responsável pela alimentação das plantas”, frisa.

CLIENTES – Tendo grandes redes de supermercados e lojas de conveniências que funcionam 24 horas em Salvador e Feira de Santana, além da Ceasa em Salvador, como principais clientes, a Fazenda Aruana tem produção de cerca de oito mil pés por dia.