Veracel Celulose corta produção e reduz investimentos na Bahia
Apesar de ainda não ter divulgado o balanço do quarto trimestre de 2008, a Veracel Celulose já anuncia cortes na Bahia. Em 2009, a produção da fábrica, instalada no município de Eunápolis, no sul do Estado, deve sofrer uma redução em aproximadamente 70 mil toneladas. Os investimentos na ampliação da unidade também sofrerão cortes da ordem de R$ 150 milhões.
A empresa ainda não confirma se haverá programas de demissões ou férias coletivas, mas deve divulgar esta informação nos próximos dias. O presidente da Veracel, Antonio Sérgio Alípio, explica que a redução de produção está relacionada ao controle de estoque. A meta da empresa era produzir, este ano, 1.120 milhão de toneladas de celulose.
Este número baixou para 1.050 milhão toneladas. Alípio admite, porém, que esta medida não é suficiente para enfrentar os reflexos da crise. “Todo o setor industrial está se adaptando, ajustando orçamentos, reduzindo despesas e investimentos“, afirma.
Dessa forma, a empresa anuncia, também, o corte de R$ 150 milhões na parte de produção florestal para a ampliação da fábrica. Outros R$ 180 milhões, porém, estão mantidos para a ampliação da eficiência da planta industrial e da base florestal da nova fábrica.
A partir destes anúncios, o presidente da Veracel afirma que a área que deve ser afetada, em caso de demissões, é a de produção florestal. Isso porque é onde se concentram os maiores cortes de investimento. “Do ponto de vista industrial, a redução de produção não é significativa para justificar ajuste de quadro, mas na produção florestal, o impacto é maior“, prevê.
EMPREGOS – Hoje, a empresa emprega cerca de 4,2 mil pessoas, entre funcionários próprios e terceirizados permanentes, todos na região de Eunápolis.
A Veracel é uma das unidades da Aracruz Celulose, empresa que no quarto trimestre de 2008 amargou prejuízo de R$ 2,981 bilhões, sob impacto da desvalorização do câmbio em suas despesas financeiras.
No mesmo período de 2007, a empresa havia apurado lucro de R$ 187,3 milhões. Para todo o ano de 2008, os prejuízos chegam a R$ 4,194 bilhões, em contraste com os ganhos de R$ 1,044 bilhão no exercício de 2007.
A Aracruz não foi a única empresa que teve prejuízo em operações com derivativos cambiais após a desvalorização do real ante o dólar ocorrida nos últimos dois meses. Além dela, Sadia, Votorantim, Embraer e Braskem também divulgaram perdas.
No setor de celulose, a Papel e Celulose Suzano também registrou prejuízo líquido de R$ 495 milhões no quarto trimestre do ano passado, ante lucro de US$ 85 milhões apurado em igual período do ano anterior. Considerandose os ajustes à Lei 11.638.
Na mesma base de comparação, o Ebitda da fabricante de papel e celulose cresceu 84,4%, de R$ 207 milhões para R$ 382 milhões, com sua margem avançando 13,2 pontos porcentuais, de 21,5% para 34,7%.
Para a unidade da Suzano na Bahia, a empresa informou através da assessoria de imprensa que não há planos para demissões ou férias coletivas na Bahia.
Mas, a empresa não deu posicionamento sobre manutenção ou cortes em investimentos e na produção em 2009.