Café torrado é a aposta para recompor receita
A indústria brasileira do café vai utilizar a plataforma de exportações e a imagem conquistada pelo café verde para aumentar as vendas e a receita dos produtos negociados no oriente médio. O objetivo é atuar com grãos industrializados, cujos volumes de embarque são pouco significativo nos embarques brasileiros e podem melhorar a receita das empresas. Especialistas afirmam que o potencial de crescimento de consumo em países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, dominados por torrefadoras europeias, é promissor. O café substitui as bebidas alcoólicas, proibidas pela religião local. Além disso, esse mercado é uma boa opção em relação aos tradicionais americano, europeu e japonês, cujas economias foram abaladas pela crise.
Atualmente, as vendas de café verde para os árabes são as mais expressivas. Nos últimos dois anos, segundo informações do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), as vendas desse tipo representaram 5% do total embarcado, somando pouco mais de 1,3 milhão de sacas, para uma receita de US$ 192 milhões. As vendas do tipo torrado e moído para a região, por sua vez, representaram pouco mais de 1% em relação a um total de 107,4 mil sacas exportadas. Para Cristiam Santiago e Silva, coordenador executivo do projeto de exportação da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), utilizar um mercado já cativo para introduzir novos produtos é muito vantajoso. "Dessa maneira não precisamos educar os consumidores", destacou.
Sidney Marques de Paiva, diretor-presidente da Café Bom Dia Ltda., maior exportadora de café torrado do Brasil, espera estrear no mercado árabe neste ano. A companhia responde por 30% da receita com exportações de torrados, que em 2008 atingiu US$ 30 milhões, conforme informações do Cecafe. "O café brasileiro é reconhecido e queremos aproveitar isso. Os europeus vendem aqui com identificação do Brasil", destacou em entrevista durante a rodada de negócios realizada em Dubai pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).
Jean-Frédéric Bailly, consultor de exportações da Sara Lee, afirmou que a intenção é iniciar as exportações para os árabes. "Vamos dar ênfase aos cafés segmentados em preço com qualidade na origem". Para ele, os produtos mais adequados da empresa para o oriente médio seriam os cafés Pilão e do Ponto. Paiva, por sua vez, afirmou que sua aposta tambérm será no café gourmet e disse que a crise não deverá prejudicar o consumo desse tipo de produto na região.
Ambos disseram que a primeira edição da rodada de negócios promovida pela Apex nos dias 21 e 22 de fevereiro facilita a prospecção de novos clientes. Os encontros contaram com a participação de 40 empresas do Brasil e 400 compradores da região. Para Abdullah Al Qubaisi, presidente da importadora Al-Qubaisi Sunrays Internacional Services, o evento é importante e essas promoções ajudam a ampliar o conhecimento dos produtos brasileiros. "Sempre busco itens de primeira linha para meus clientes. Não importa se é caro, o importante é a qualidade", ressaltou. Entre seus clientes, ele afirma que estão o Sheik Mohammed bin Rashid Al Maktoum, vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos e governador de Dubai.