Clima seco em países produtores sustenta preços globais de chá
Os preços do chá caminham para atingir seu maior patamar histórico neste ano, impulsionados pelos danos à produção provocados por secas simultâneas nos principais países exportadores, de acordo com previsões de analistas e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês).
Kaison Chang, especialista em chá da FAO, em Roma, observou que o clima seco derrubou o rendimento nas plantações de chá na Índia, Quênia e Sri Lanka. "Os preços devem aumentar", afirmou. A queda de produção nos três países, responsáveis por metade das exportações mundiais, deverá exacerbar os problemas verificados com o déficit do produto no ano passado.
Estimativas preliminares da FAO sobre o mercado em 2008 indicam que o consumo aumentou para 3,85 milhões de toneladas, 4,8% a mais que no ano anterior, enquanto a produção subiu 1,2%, para 3,78 milhões de toneladas. Em 2007, havia sido registrado superávit na oferta de chá.
A previsão de queda na produção chega em meio a uma demanda relativamente sólida, mesmo com compradores atacadistas de alguns países emergentes tendo reduzido as compras, prejudicados pelas restrições de crédito, segundo executivos do segmento.
Ao contrário do café, o chá não é negociado em bolsas de contratos futuros e todas as operações consistem de negócios "físicos", apenas com compradores que realmente usam o produto.
O principal problema de oferta, segundo especialistas, está no Sri Lanka, tradicionalmente o maior exportador do mundo. A produção na ilha no Oceano Índico também sofre com a redução do uso de fertilizantes, por causa da alta de preços, pelos agricultores. No Quênia, a região de Rift Valley, rica em plantações de chá, foi atingida por uma seca e os preços nos leilões semanais na cidade portuária de Mombasa, referencial mundial para o ramo, chegaram a US$ 3,40 por quilo, salto de 15% em relação a dezembro.
As águas da temporada de "chuvas longas", como é conhecido no Quênia o período que vai de março a maio, ainda não chegaram às principais áreas de cultivo. O Comitê de Chá do Quênia, regulador da área, prevê que o tempo seco encolherá a produção do país em 5% em comparação a 2008, para 328 milhões de quilos.
Distúrbios políticos no Quênia em 2008, que tiraram agricultores do Rift Valley, também restringiram a produção. O preço do chá, no atacado, em Mombasa subiu no ano passado para a média de US$ 3,10 o quilo, quase 11% mais que em 2007 e maior valor desde pelo menos 1993. A produção de chá na Índia também foi prejudicada pela estiagem nos Estados de Tamil Nadu, Kerala e Karnataka.