Cana corta 73% do CO2

01/04/2009

Cana corta 73% do CO2

 

Na corrida mundial pelos biocombustíveis, o etanol brasileiro ganha mais alguns pontos. Pesquisa da Embrapa revela que o álcool de cana-de-açúcar emite menos 73% de dióxido de carbono (CO2) do que a gasolina. O trabalho, que analisou todas as etapas de produção dos dois combustíveis, com clara vantagem para o etanol, mostra também que, se a queima do solo fosse eliminada do processo de colheita de cana, a diminuição das emissões do principal gás causador do efeito estufa, seria ainda maior.

A reportagem é de Carlos Albuquerque e publicada pelo jornal O Globo, 01-04-2009.

— Fala-se, naturalmente, muito na importância dos biocombustíveis, mas existem casos nos quais um litro de biocombustível pode significar um grande gasto de combustíveis fósseis na sua produção — explica Segundo Urquiaga, um dos quatro pesquisadores da Embrapa Agrobiologia que realizaram o estudo.

— Como não adianta termos uma fonte de energia renovável se emitirmos grandes quantidades de CO2 no processo, decidimos aprofundar o estudo do balanço energético em torno dessa produção e calcular o seu custo ambiental.

E ele mostrou-se bastante favorável ao etanol brasileiro.

No estudo, os pesquisadores avaliaram a quantidade de gases de efeito estufa produzida desde a preparação do solo para o plantio da cana-de-açúcar até o transporte do etanol produzido para o posto e a queima do combustível.

— Para isso, contamos com dados obtidos junto às usinas e empresas que produzem o etanol, que nos informaram os custos de materiais como cimento e ferro cromado, por exemplo, além de quanto gastam com máquinas e para transportar o produto.

A mesma avaliação foi feita com a gasolina: os pesquisadores da Embrapa consideraram a emissão dos gases do efeito estufa, desde a extração do petróleo até a combustão do produto nos motores dos veículos.

— Os dados incluíram também o transporte dos combustíveis até os postos de venda — diz Urquiaga, que estuda a demanda de energia na produção de cana-deaçúcar desde 1995.

Na parte final do estudo, já de posse desses dados, foram avaliados os desempenhos de dois carros, um movido à gasolina pura e outro movido a álcool, num percurso de 100 quilômetros.

Queima do solo acarreta emissões

O resultado da comparação — levando em conta os custos da produção — mostrou que houve redução de 73% das emissões de CO2 com o carro a álcool em comparação com o veículo que usava gasolina pura.

— Se usássemos um veículo com a gasolina brasileira, que tem 24% de diesel, a redução seria um pouco menor, mas mesmo assim, mais satisfatória do que aquela do carro com gasolina pura — afirma Urquiaga.

Segundo o pesquisador, se a queima do solo para a colheita da cana fosse totalmente eliminada, os valores da redução das emissões seriam de 82% em relação a gasolina pura.

— A queima do solo acarreta mais emissões, principalmente de metano, outro gás-estufa. Se a colheita fosse mecanizada, o impacto seria menor.