Banco Mundial visita assentamento

20/02/2006

Banco Mundial visita assentamento

Presidente da instituição no Brasil reúne-se com agricultores financiados pelo banco no município de Ilhéus

LUIZ CONCEIÇÃO

ILHÉUS E ITABUNA (DA SUCURSAL SUL DA BAHIA) – As 35 famílias do assentamento União e Trabalho, situado na região do Japu, município de Ilhéus às margens da rodovia Ilhéus-Itabuna, esperam produzir 2,6 mil arrobas de cacau até o final do ano. A perspectiva de renda para cada uma será de R$ 2,8 mil, um fato comemorado pela missão do Banco Mundial, que visitou a área de 444 hectares na manhã de ontem, acompanhada de dirigentes da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria do Planejamento da Bahia.

O presidente do Banco Mundial para o Brasil, John Briscoe, e seu assistente Luis Coirolo, além dos representantes da CAR e CDA/Seagri, foram recebidos na sede da Associação de Produtores Agrícolas União e Trabalho, construída em mutirão pelas famílias e onde funciona a escola, com o apoio da Fundação Banco do Brasil. Durante reunião de prestação de contas foi apresentado o planejamento que prevê um incremento de 30% na produção de cacau orgânico, em 2007, quando a renda líquida por família deverá passar para R$ 3,8 mil.

Segundo a presidente da associação, Marineide Cecília da Silva Góes, os resultados colhidos até agora começam a recompensar a luta iniciada no ano 2000, com a aquisição da propriedade rural, que estava abandonada há 15 anos. Góes disse aos dirigentes do Banco Mundial que a maioria das famílias do assentamento era procedente de Porto Seguro, para onde tinha migrado na década de 90 com a derrocada da lavoura cacaueira em decorrência da vassoura-de-bruxa.

HISTÓRIA – Depois de formarem a associação, as famílias partiram em busca de fazendas de cacau abandonadas pelos donos, desencantados com a praga da vassoura-de-bruxa que dizimou mais de 500 mil hectares de cacau na outrora pujante região cacaueira. A Fazenda Bom Sossego lhes foi oferecida por um corretor ao preço de cerca de R$ 200 mil. Sem dinheiro, os ex-trabalhadores rurais saíram à procura de crédito no Banco do Nordeste do Brasil, tendo conseguido o recurso através do Programa Crédito à Pobreza Rural da CAR, financiado pelo Banco Mundial.

Depois dos trâmites, a propriedade passou ao domínio da associação em 2001. No ano agrícola de 2002 foram colhidas apenas quatro arrobas de 15 quilos de cacau. Mas, dois anos depois, com a adoção de pacote tecnológico e assistência técnica oferecida pelo programa, a produção alcançou 1,2 mil arrobas, o que animou ainda mais os assentados.

No ano passado, a produção total foi de duas mil arrobas, que foram vendidas ao preço médio de R$ 48 por arroba e, deduzidos os investimentos, permitiu o pagamento em janeiro de 2005 da primeira parcela do financiamento de 20 anos, com três anos de carência.

Programas facilitam produção

Além dos recursos do Banco Mundial, a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) também aplica verbas do Programa de Crédito Fundiário e Combate à Pobreza Rural e do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf).

O diretor-presidente da CAR, Umberto Costa, informou que já foram aplicados no assentamento União e Trabalho R$ 374 mil, repassados a fundo perdido pelo Banco Mundial. Mais verbas serão liberadas para novos projetos, inclusive um que prevê a produção de polpas e de barras de chocolate amargo.

Atualmente, a CAR atende a 7.100 famílias na Bahia, distribuídas em cerca de 200 propriedades rurais, com recursos próprios, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e do governo estadual, através da Coordenação de Desenvolvimento Agrário (CDA), da Secretaria Estadual da Agricultura.

O assentamento União e Trabalho conta ainda com o apoio da Centro de Pesquisa da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e da Prefeitura de Ilhéus, que está construindo uma estrada com oito quilômetros de extensão, em troca da oferta de cascalho da fazenda para seu programa de conservação de estradas vicinais. (L.C.)