Passaporte para as bananas
A certificação de 28 produtores de banana-nanica do distrito de Irrigação Formoso, no município de Bom Jesus da Lapa (840 km de Salvador) no sistema Globalgap, está criando expectativas na região, com vistas à exportação da fruta para o mercado europeu.
A estimativa é que o processo, iniciado no ano passado e que tem à frente Adab, Embrapa, Sebrae e bananicultores ligados a uma cooperativa e a uma associação de produtores, estará concluído até 2010.
A banana é a fruta de maior produção no distrito, somando 8.008.000 kg/mês, correspondendo a 700 caminhões que saem com destino aos principais centros consumidores, como Salvador, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia. Além das bananas nanica e prata, o distrito produz manga, mamão, uva e outras frutas em menores áreas.
De acordo com o presidente da Associação de Produtores Banana da Bahia, Ervino Kögler, entidade que participa do processo, a associação já exporta bananananica para o Mercosul, mais exatamente para a Argentina, em caminhões refrigerados que demoram entre sete a oito dias para chegar ao destino. “Desde 2007 conquistamos o Mercosul, que é um mercado menos exigente que o europeu”, destaca Kögler.
TRATO – Para atravessar o Atlântico, os produtores já receberam vários cursos, onde, dentre outras coisas, aprenderam que devem adequar os tratos culturais para agredir o mínimo possível a natureza e usar apenas o essencial para debelar pragas e doenças.
“A maioria já está treinando os funcionários, pois tudo o que acontece dentro da propriedade deve ser rigorosamente anotado”, diz o produtor Kögler, enfatizando que eles devem ampliar o monitoramento das plantas.
Para atender aos rigorosos padrões de qualidade do mercado europeu, as propriedades que participam do projeto devem passar por uma auditoria executada por certificadora independente, salienta o gestor de projetos do Sebrae, Edirlan Souza. Até que o processo seja concluído, frisa, serão realizadas consultorias técnicas e análises laboratoriais das frutas.
“No momento, trabalhamos no processo licitatório para escolha da empresa que será responsável pelas auditorias nesses estabelecimentos”, diz Edirlan. Todo o projeto de certificação, orçado em R$ 336,3 mil, deve incorporar 729 hectares de bananananica irrigada ao mais importante protocolo internacional de segurança alimentar para o setor: o Globalgap, que já atinge fruticultores baianos de Juazeiro e Livramento.
“Com ele, o consumidor estará assegurado de comprar frutas certificadas e o produtor habilitado a conquistar um mercado exigente”, diz o diretor administrativo da Cooperativa de Fruticultores de Bom Jesus da Lapa (Coofrulapa) que participa do processo, Clériston Duarte.
Apesar de estar em implantação, o projeto já apresenta resultados positivos, dentre eles está o maior controle das plantas e a redução da aplicação de defensivos agrícolas. “Antes, a média era entre cinco a seis por ano. Hoje, são três aplicações”.
LOGÍSTICA – As condições de trafegabilidade da BR-349, única via de escoamento das 117 mil toneladas de frutas produzidas por ano no Distrito Formoso, das quais, 96 mil toneladas só de bananas, comprometem a renda dos fruticultores, que pagam, pelo menos, 30% a mais pelo frete da carga altamente perecível.
“Além de pagarmos a mais pelo transporte, tem a margem de perda das frutas, que é considerável”, lamenta o fruticultor Ervino Kögler. Os produtores se esmeram para conseguir frutas de boa qualidade, “mas, no caminho, tão logo saem dos lotes de produção, temos perdas na qualidade”, afirma Kögler, sem dimensionar valores.
O que é Globalgap? É uma organização privada que fixa normas para a certificação de produtos agrícolas em todo o mundo Quem pode participar? O produtor deve seguir as boas práticas agrícolas, que ditam diferentes requerimentos para os diversos produtos, sendo adaptada a toda a agricultura mundial. Seus cuidados começam desde o preparo da terra até o momento em que o produto deixa a unidade de produção.