G-8 e emergentes discutem saídas para crise alimentar

17/04/2009

G-8 e emergentes discutem saídas para crise alimentar

Fórum que começa amanhã deve tratar de subsídios e preço de alimentos

 

O G-8 (grupo dos oito países mais desenvolvidos) alerta que a produção de alimentos terá de dobrar até 2050 para que a crise alimentar não afete a estabilidade e a segurança mundial. A partir de amanhã, o grupo se une a países emergentes para a primeira reunião de ministros da Agricultura, numa tentativa de traçar estratégias comuns para lidar com o problema.

Do encontro, podem sair o compromisso de ampliar a ajuda financeira aos pequenos agricultores dos países pobres e medidas para conter a volatilidade dos preços de commodities.

Para reduzir a volatilidade das commodities, o G-8 quer propor uma coordenação de estoques internacionais de cereais e de intervenções em mercados futuros.

O Brasil foi convidado, mas não enviará o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. O País será representado pela embaixada junto à FAO e defenderá a abertura de mercados e redução de subsídios.

Segundo o documento preparado para o evento, que ocorre em Treviso na Itália, a queda das commodities dos últimos meses não se traduziu em redução de preços de alimentos nos países pobres. E a recessão mundial pode tornar a crise alimentar "permanente" e "estrutural". Em 2007 e 2008, a alta dos alimentos teria adicionado 100 milhões de famintos no mundo. Desde então, os preços caíram. Mas o representante da ONU no evento, David Navarro, apontou que os custos nos países pobres continuam duas vezes maiores que a média de 2004. "Essa situação deve se agravar mais com a queda dos salários e o aumento do desemprego por causa da crise."

O apoio a países africanos pode ser fundamental para lidar com a fome. O secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Tom Vilsack, deve reforçar a promessa do presidente Barack Obama de dar US$ 1 bilhão a ajuda alimentar até 2010. A proposta ainda terá de passar no Congresso. "A fome afeta mais de um bilhão de pessoas no mundo, causando sofrimento, instabilidade política e estagnação econômica."

A FAO e outras entidades pedirão mais recursos aos pequenos produtores, que totalizam 500 milhões de pessoas no mundo. "Nos últimos 25 anos, os investimentos à agricultura nos países pobres foram reduzidos de forma drástica. Agora, estamos nos dando conta que uma maior resistência à crise internacional virá do fortalecimento da agricultura", afirma Navarro. Segundo ele, a produção agrícola africana poderia aumentar em três vezes se investimentos básicos em armazenagem e irrigação fossem feitas.

Mas, com a crise, muitos governos de países ricos estão mais preocupados em proteger seus mercados e produtores. O Brasil vai atacar os subsídios agrícolas dos países ricos e pedirá a conclusão da Rodada Doha. O País alega que subsídios aos produtores de algodão dos EUA já estão aumentando. Na Europa, ajuda a produtores também voltou à agenda.

O Itamaraty vai alegar que essa ajuda criou distorções no mercado mundial e tornou tirou a rentabilidade da produção dos países pobres. O resultado foi queda na produção. Navarro admitiu que essa questão tem de ser discutida no Fórum. "Um sistema mais justo precisa ser criado", defendeu.