Vale: produção no jeitinho brasileiro

20/04/2009

Vale: produção no jeitinho brasileiro


 


Fora do cenário do cultivo de melão em larga escala há mais de 20 anos, a região do Vale do São Francisco, em especial nas cidades de Juazeiro e Petrolina (PE), registra pouca presença de sementes falsificadas ou, como os comerciantes preferem chamar, "propagadas". As F1, ou sementes verdadeiras, vindas do laboratório com padronização e boa qualidade, são as mais procuradas, mas quase não existem em lojas de produtos agrícolas e insumos, depois da queda do plantio dessa cultura.

As sementes F1 são vendidas por semente com pacotes de uma ou cinco mil sementes em cada embalagem.

Segundo os vendedores, essa quantidade corresponde a 100 gramas do produto e custa, em média, R$ 120. Mas, para plantar um hectare de melão, seriam necessários pelo menos dez pacotes, onde o custo apenas com as sementes seria de R$ 1.200.

Uma alternativa encontrada e usada por alguns produtores é comprar a semente original, plantar e depois produzir novas sementes, gerando assim as conhecidas como "falsificadas".

O custo dessa atividade que cria uma semente da produção de outra semente é mais baixo, o que deve atrair mais os agricultores que não se preocupam com os riscos do resultado dessa operação paralela e rejeitada por comerciantes e mercado. O preço de 1 kg de sementes propagadas custa R$ 100 e é suficiente para o plantio de um hectare da fruta, muito superior em quantidade à original.

RISCO - A parte ruim dessa aposta é que, das sementes propagadas, saem frutos sem qualquer certeza de qualidade, suscetíveis a doenças, bactérias, eliminado qualquer possibilidade de exportação. Para quem trabalha com venda de produtos agrícolas, quem planta sementes propagadas compra consciente, não há "engano", pois quem decide plantar o melão é indicado por especialistas que indicam onde comprar as F1.

Para o comerciante do setor de produtos e insumos agrícolas em Petrolina José Ramos Filho, essa atividade paralela com sementes propagadas foi o principal motivo da queda do cultivo da fruta na região. "Os produtores perderam a hegemonia porque a imagem da região foi manchada com produto sem qualidade, diferenciandose do melão produzido em Mossoró (RN), que assumiu o lugar do Vale na venda do produto".

Mas ele acredita que a crise enfrentada pelos produtores na fruticultura pode trazer de volta o cultivo do melão a partir de sementes F1. Para José Ramos, a crise que assola hoje o setor agrícola nacional, e no Vale com a fruticultura irrigada, provocou uma consciência retardada de que retomar a cultura com os métodos corretos pode representar o retorno de produção há muito abandonada.

Nas últimas décadas, sobraram poucos produtores de melão no Vale.

André Pavesi, de Petrolina, desistiu do plantio. Mas na Fazenda São Francisco, também na cidade pernambucana, o produtor Manoel Henrique Bezerra cultiva no período da entressafra entre os meses de março e julho.

Com oito hectares da fruta irrigada, colheu cerca de 150 toneladas, a serem comercializadas no Mercado do Produtor de Juazeiro. Manoel afirma que investiu só de semente R$ 8 mil.

"O preço do melão está em torno de R$ 1,4 e já esteve bem mais abaixo", informa.