Trava da UE afetará preços do mel

14/03/2006

Trava da UE afetará preços do mel

 

 

SÃO PAULO - Desprevenido sobre exigências técnicas da União Européia (UE) para permitir a entrada de mel importado no bloco, o Brasil agora corre para atender às especificações e reabrir aquele mercado o mais rápido possível ao produto nacional.

O embargo europeu foi confirmado pelo Ministério da Agricultura brasileiro no último dia 3. Segundo exportadores, informações extra-oficiais indicam que a medida deverá ser publicada no diário oficial da UE amanhã, e que a barreira entrará efetivamente em vigor na sexta-feira (dia 17). O Ministério da Agricultura informou, contudo, que não receberam qualquer notificação oficial européia.

Conforme a Confederação Brasileira de Apicultura (CBA) e a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), os impactos negativos da proibição são inevitáveis e já estão sendo sentidos, ainda que timidamente.

Para José Henrique Fernandes Faraldo, presidente da Abemel, é possível desviar parte dos embarques para outros destinos - como os EUA, por exemplo -, mas nem todos os exportadores estão estruturadas para uma guinada eficiente nesta direção. A entidade reúne 15 associados, que respondem por 80% das exportações do país.

Faraldo lembra que os embarques brasileiros ganharam algum peso de três ou quatro anos para cá, e que, assim, o país ainda não é considerado um exportador tradicional. Reclama que o câmbio não ajuda e que, em caso de desvio de destino, a pressão dos clientes para aproveitar a fragilidade brasileira e reduzir preços será grande.

Como algumas empresas tendem a acusar o golpe, raciocina, certamente haverá reflexos também para parte dos 350 mil apicultores espalhados pelo Brasil, a maior parte micro e pequenos.

" Nessa situação, os preços deverão cair também no mercado doméstico " , acredita. Hoje, o quilo do mel convencional sai por entre R$ 1,60 e R$ 2 no país. O Brasil produz de 35 mil e 45 mil toneladas de mel por ano. Em 2005, as exportações somaram 14,5 mil toneladas (US$ 18,94 milhões), e 80% das vendas externas foram para a UE.

Estão na força-tarefa para reabrir o mercado europeu empresas (incluindo certificadoras), governo e laboratórios. Em nota produzida após reunião na sexta-feira, o Ministério da Agricultura apresentou resultados do Programa Nacional de Controle de Resíduos (PNCR) que mostram que o mel brasileiro é de qualidade e sem resíduos de antibióticos, apesar das dúvidas da UE.

(Fernando Lopes | Valor Econômico)