BNDES financiará pequenas usinas

16/03/2006

BNDES financiará pequenas usinas

 

 

Unidades geridas por cooperativas terão que absorver produção em várias regiões nordestinas. Os plantadores de cana-de-açúcar do Nordeste vão industrializar a própria produção em destilarias com capacidade para moer até 400 mil toneladas/ano. As unidades serão geridas pelo sistema de cooperativa e destinadas a absorver a matéria-prima das pequenas e médias propriedades. O projeto está sendo estruturado pelo Ministério da Agricultura por meio de um Grupo de Trabalho (GT), que tem prazo até 9 de abril próximo para apresentar suas conclusões conforme portaria ministerial baixada em 9 de dezembro de 2005.

"A implantação das unidades vai possibilitar a retomada da produção em áreas inviabilizadas pela desativação ou migração de usinas para o Centro-Sul do país", afirma Ricardo Buarque Gusmão, presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco, entidade que apresentou a proposta à Comissão Interministerial, criada pelo governo federal para fazer um diagnóstico do setor sucroalcooleiro do Nordeste. Em seu relatório final, a comissão relacionou o projeto das destilarias como uma das recomendações para reestruturação do setor na região.

O programa para implantação das unidades industriais denominado "Verticalização da Lavoura Canavieira de Produtores Independentes", conta com o apoio da Confederação Nacional da Indústria – CNA e da União Nordestina dos Produtores de Cana – Unida. Ambas as entidades possuem representantes no GT que está estruturando o projeto. "Com as destilarias, os produtores poderão agregar valor à matéria-prima", afirma Gregório Maranhão, secretário-geral da Unida.

Segundo Maranhão, o investimento para a implantação de cada unidade industrial deverá ser da ordem de R$ 15 milhões. Os recursos deverão ser financiados pelo BNDES e pelo Banco do Nordeste. Para isso, os representantes do GT já estão em entendimento com as instituições financeiras a fim de que sejam criadas linhas de créditos adequadas ao empreendimento.

O Nordeste possui cerca de 20 mil produtores de cana de pequeno e médio portes, presentes em 220 municípios. O segmento é responsável pela geração de 300 mil empregos diretos e 1,5 milhão de indiretos. Os produtores vêm enfrentando uma séria crise causada pela seca que, nos últimos três anos afeta a produção na Zona da Mata.

Além disso, apesar de possuírem o 2º menor custo de produção do mundo, os produtores do Nordeste enfrentam, no mercado interno, a concorrência predatória dos produtores do Centro-Sul que detém o menor custo de produção mundial. Até 2002, a diferença comparativa nos custos, causada pelas características topográficas e climáticas do Nordeste, era compensada pela taxa de equalização. "O pagamento foi suspenso pelo governo federal em descumprimento a um dispositivo constitucional", afirma Ricardo Buarque Gusmão.

Com a implantação das pequenas destilarias, os fornecedores de cana também passarão a ter melhores condições de comercialização de seus produtos. Nos últimos anos, o setor sucroalcooleiro vem obtendo ganhos significativos devido à ampliação dos mercados do açúcar e do álcool no exterior. Contudo, os produtores de cana independentes não estão sendo remunerados na mesma proporção uma vez que não possuem poder de barganha junto às usinas para obterem melhores preços.

Outro ponto que dá suporte à consolidação do projeto é o fato de que a estimativa para os próximos cinco anos é de que a demanda mundial por álcool ultrapassará os 10 bilhões de litros, tornando o produto uma commodity de grande aceitação no mercado internacional.

kicker: Investimento para a implantação de cada destilaria deverá ser de R$ 15 milhões; parte dos recursos serão do Banco do Nordeste

(Gazeta Mercantil/Gazeta do Brasil - Pág. 14)(Ângelo Castelo Branco)