Commodities Agrícolas
Águas passadas?
A expectativa de que o pior da recessão americana já ficou para trás acabou repercutindo de forma positiva no mercado futuro do algodão, negociado em Nova York. Os contratos com vencimento em julho subiram 71 pontos (1,2%) e fecharam o dia a 58,88 centavos de dólar por libra-peso. Horas antes, os mesmos papéis chegaram a atingir 59,4 centavos, o maior preço desde 29 de setembro. "O algodão e outras commodities subiram ontem diante dos sinais crescentes de que o pior da recessão já passou", disse à Bloomberg John Flanagan, presidente da Flanagan Trading, em Fuquay-Varina, na Carolina do Norte. No mercado doméstico, a libra-peso do algodão ficou em R$ 1,2076, alta diária de 1,3%, segundo o Cepea/Esalq. No mês, a fibra já acumula alta de 4,51% .
Apetite chinês menor
Os preços futuros da soja registraram queda ontem com especulações de que a China, o maior consumidor mundial, poderá desacelerar suas importações. Compradores chineses pediram a seus fornecedores para segurar encomendas de 500 mil toneladas de soja até junho, enquanto outros podem ter cancelado compras de outras 300 mil toneladas, segundo executivos entrevistados pela Bloomberg. "As pessoas estão nervosas com a China", disse Greg Wagner, analista de mercado da AgResource, de Chicago. Diante desse cenário, os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 11,02 por bushel, com recuo de 16 centavos de dólar na bolsa de Chicago. No mercado interno, a saca de 60 quilos da soja fechou a R$ 50,2, com variação negativa diária de 0,89%, segundo o indicador Cepea/Esalq.
Tempo úmido
Os contratos futuros do milho negociados na bolsa de Chicago subiram ontem para o maior patamar em quatro meses. O movimento altista se deveu a especulações de que o clima mais úmido nas regiões produtoras dos Estados Unidos irá atrasar o plantio e reduzir o potencial de produtividade da lavoura. Cerca de 33% da lavoura de milho foi semeada até o dia 3 de maio, uma queda significativa se comparada aos 50% semeados, em média, nos últimos cinco anos. "O tempo úmido continua a limitar as oportunidades de plantio", disse à Bloomberg Don Roose, presidente da U.S. Commodities. Em Chicago, os papéis para julho fecharam a US$ 4,12 por bushel, com alta de 4,50 centavos de dólar. No mercado interno, a saca de 60 quilos ficou a R$ 22,42, segundo o Cepea/Esalq.
Alta no campo em SP
O IqPR, índice de preços recebidos pelos produtores agropecuários de São Paulo pesquisado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) - vinculado à Secretaria da Agricultura do Estado -, encerrou abril com variação positiva de 1,49% e passou a acumular valorização de 6,47% nos últimos 12 meses. A alta do mês passado foi determinada pelo comportamento das cotações no grupo de produtos de origem vegetal, que subiu, em média, 2,19% (6,16% em 12 meses). Dos 11 itens pesquisados no grupo, o destaque foi a banana nanica, que subiu 53,14% em relação a março. No grupo de produtos de origem animal, que caiu, em média, 0,27%, a maior pressão veio da carne de frango, cuja queda foi de 5,63%. Mas os ovos também recuaram - 2,71%, de acordo com levantamento do IEA.