Milho reacende debate sobre os transgênicos

12/05/2009

Milho reacende debate sobre os transgênicos

 

 

A comercialização de organismos geneticamente modificados (OGMs) continua a levantar polêmicas no país. Desta vez, o alvo é o milho BT, desenvolvido pela americana Monsanto e liberado em 2008 pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

Segundo reportagem do jornal "Folha de S. Paulo", produtores e cooperativas do Paraná não têm capacidade de separar lavouras convencionais das transgênicas por falta de estrutura, o que pode desagradar a consumidores no país e no exterior.

Conforme a Apromilho do Rio Grande do Sul, quarto maior produtor de milho do país, o Estado - que no passado recente enfrentou o mesmo problema com a soja - tem condições para armazenagem e transporte. "Temos cooperativas com capacidade de separar até 50 tipos de grãos", diz Claudio Jesus, presidente da associação.

Segundo ele, 1% da safra de verão de milho, semeada em agosto, era transgênica, o que equivaleu a 10 mil hectares. Já na safrinha, o percentual subiu para 50%. "Os produtores estão satisfeitos com o ataque menor de pragas", diz. "E nós temos condições de separar para quem quer convencional ou não", garante.

O dirigente diz que é crescente a demanda de clientes, sobretudo de ração, pela variedade modificada. Para ambientalistas e para o Idec, é fundamental que a segregação seja feita e que os consumidores sejam informados da presença ou não de OGMs nos rótulos dos produtos comprados nos supermercados, inclusive no caso das carnes dos animais alimentados com rações.

Clientes que importam o milho brasileiro podem ter a mesma preocupação, mas Sérgio Mendes , diretor-executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), não crê que os embarques do país serão prejudicados nesta primeira colheita do grão modificado.

Para ele, o impasse quando a soja transgênica foi liberada no país mostrou que é possível fazer testes em lavouras e portos. Mostrou, também, tolerância com até 1% de contaminação transgênica em cargas convencionais e, em casos radicais, incentivou tradings focadas em produto convencional com certificação de companhias especializadas.