Gripe de aves reduz demanda por ração no 1º- semestre
Vendas devem cair 1% nos primeiros seis meses, mas podem se recuperar e crescer 1,7% no ano. A retração do consumo mundial de carne de frango devido à gripe de aves, que já resultou em queda dos embarques e da produção do setor, vai afetar também as vendas de rações para a avicultura. O volume de rações para o segmento deve cair 1% no primeiro semestre deste ano, para 12,950 milhões de toneladas, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações). As vendas de rações para a avicultura de corte terão baixa de 1,8%, para 10,934 milhões de toneladas.
Recentemente, a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef) estimou que o primeiro semestre será marcado por "ajustes" nos embarques e que, no segundo, as exportações poderão crescer 5%. Já a Associação Brasileira dos Produtores de Pintos de Corte (Apinco) estimou que produção do segmento não deve crescer este ano em relação às 4,7 bilhões de unidades de 2005 e poderá ter redução, conforme o desempenho das exportações.
O Sindirações estima que no ano as vendas de rações para a avicultura deverão aumentar 1,7%, para 27,234 milhões de toneladas, com a retomada do crescimento das exportações de carne de frango no segundo semestre. Em 2005, o segmento cresceu 9,4%, para 26,771 milhões de toneladas. "A confiança dos consumidores mundiais de carne de frango deve ser retomada à medida que se esclarece quais são os riscos reais de contaminação da gripe de aves", diz a coordenadora técnica e de qualidade do Sindirações, Flavia Ferreira de Castro. Segundo ela, o País terá destaque na retomada do consumo mundial devido às medidas sanitárias adotadas.
As vendas totais de rações devem crescer 3,5% no ano, para 48,859 milhões de toneladas. "O setor deveria crescer 10% diante da competitividade brasileira na exportação de carnes e da expectativa de aumento da busca por proteína animal", diz o secretário executivo do Sindirações, João Prior. O patamar não será atingido por causa da desaceleração do crescimento das vendas de rações para avicultura.
O volume de rações para bovinocultura deve chegar a 5,689 milhões de toneladas, com alta de 5,8%, ante a expansão de 4% no ano passado. As vendas para bovinos de corte devem crescer 5,5% e de leite, 6%. "A ocorrência de febre aftosa em 2005 contribuiu para pressionar os preços da arroba do boi gordo. No segundo semestre deste ano, o preço da arroba deve melhorar, o que estimula o investimento dos pecuaristas nos insumos", conta Prior. O Sindirações estima ainda o crescimento de 17,6% nas vendas de rações para aqüicultura, para 267,2 mil toneladas e de 7% para pet food, para 1,672 milhão de toneladas este ano.
Em 2005, o setor de rações registrou expansão de 8,6%, para 47,208 milhões de toneladas e manteve o faturamento de US$ 9,3 bilhões. A receita não acompanhou o crescimento em volume devido à desvalorização dos preços do milho e do farelo de soja, principais insumos na fabricação de rações, segundo o secretário do Sindirações.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 12)(Chiara Quintão)