Bahia reduz em 60% as exportações de tabaco

18/05/2009

Bahia reduz em 60% as exportações de tabaco

 

Pressão da campanha antitabagista, queda na demanda internacional, variação cambial e altos impostos são alguns dos fatores que contribuíram para a redução em até 60% no volume de exportação do tabaco baiano e derivados no primeiro quadrimestre de 2009, comparando-se com o mesmo período do ano passado. Este é o reflexo da crise pela qual passa o setor. As dificuldades surgiram bem antes das incertezas da economia mundial, desde a queda das bolsas em outubro de 2008, mas desde então, provocaram demissões e queda na produção.

Nas indústrias, tanto de beneficiamento da folha, quanto de fabricação de charutos, a mão-de-obra é essencialmente feminina e o trabalho é artesanal, um ofício que, normalmente é passado de mãe para filha.  Angelita Caldas da Silva, 72, não aprendeu com a mãe, mas com uma vizinha, o ofício  de selecionar as folhas de fumo. Há 52 anos, trabalha em uma empresa de beneficiamento de folhas na cidade de Cruz das Almas. Dona Geo, como é conhecida, é a funcionária mais antiga da empresa. Viúva, ela conta que criou as duas filhas e que hoje já é bisavó. Mesmo assim, não pretende deixar tão cedo as bancadas em que seleciona as folhas de fumo.

Nas fábricas de charutos, o pagamento é feito por produção e cada charuteira recebe, em média, um salário mínimo e meio por mês. Nessas fábricas, as demissões já começaram. A Le Cigar, por uma estratégia de composição de preços e estoques, suspendeu a produção  e dispensou as charuteiras por tempo indeterminado.

Na Menendez & Amerino, uma das maiores indústrias de fabricação de charutos e cigarrilhas, desde o final do ano passado, foram dois lotes de demissões, num total aproximado de 30 funcionários. Nesta empresa, até 2008, as vendas para o mercado internacional representavam até 50% da produção. Desde o início do ano, a queda foi de 36% nas exportações tanto de charutos quanto de cigarrilhas.

A estimativa do Sindicato da Indústria do Fumo da Bahia (Sinditabaco) é  que o setor empregue aproximadamente 56 mil pessoas. Deste total,  cerca de 10% estão nas fábricas de charutos. Os outros postos de trabalho são concentrados nas etapas de plantio, colheita, beneficiamento e exportação. Em todas as etapas, o trabalho é manual. “Nunca encontramos nenhuma máquina que fizesse o trabalho tão bem quanto o que é feito manualmente”, comenta o produtor Hilton Fensterseifer. A produção é concentrada no Recôncavo baiano, especialmente em Cruz das Almas, São Gonçalo dos Campos, São Félix e Cachoeira.

O tabaco plantado na Bahia é um fumo escuro, utilizado exclusivamente pela indústria de charutos e cigarrilhas. Levantamento do Sinditabaco, entidade que representa as empresas de beneficiamento de fumo e a indústria de charutos na Bahia, aponta que 97% da produção atende ao mercado internacional. Ainda assim, o fumo baiano é o que paga a maior taxa de importação nos portos da Europa. “Enquanto todos países pagam 9% para entrar no mercado europeu, o produto brasileiro paga 27%”, comenta o presidente do Sinditabaco, Ricardo Becker.  Apesar da crise, o setor possui potencial de crescimento, mas seria necessário apoio governamental. “Podemos melhorar a arrecadação, gerar mais empregos”, diz.