Cultivo de maracujá é alternativa para ex-produtores de cacau

23/03/2006

Cultivo de maracujá é alternativa para ex-produtores de cacau.

 

 

A experiência começou por acaso, no início do ano passado, quando algumas doceiras forneceram sementes de maracujá aos agricultores de Piraí do Norte, a 340 quilômetros de Salvador. No município, localizado no Baixo Sul da Bahia, de clima úmido, prevalecia a cultura do cacau até a chegada da vassoura de bruxa, praga que devastou os cacaueiros. Agora, um projeto-piloto de cultivo de maracujá dá novo alento aos pequenos produtores.

Vítimas da decadência da produção de cacau, devastada na região pela praga, os produtores apostam na nova cultura e já colhem os frutos. O resultado da primeira colheita, realizada no início deste ano, foi de quatro toneladas de maracujá. "Deu pra ganhar um bom dinheiro, vendendo o quilo a R$ 1,30", comemora o agricultor Arlindo Francisco Malta, da comunidade do KM 29.

Desmatamento

A experiência do plantio de maracujá inicialmente foi recebida com desconfiança pelos produtores devido ao clima úmido da região. O técnico do Sebrae, Ângelo Fahning, explica que, embora o fruto requeira um clima quente, o desmatamento ocorrido na localidade nos últimos 30 anos acabou criando condições climáticas favoráveis à nova cultura. "Contratamos uma consultoria técnica que confirmou a viabilidade do projeto", diz.

Ângelo informa que a decisão de produzir maracujá se deu diante da dificuldade da associação de doceiras de Piraí do Norte em adquirir o fruto, que é matéria-prima para a produção de doces e compotas. "Para a compra do maracujá era necessário ir a Valença, percorrer uma distância de 120 quilômetros, e pagar em média, a R$ 2,15 o quilo", informa o técnico do Sebrae, que também desenvolve um projeto de apoio às doceiras.

A solução foi reunir os agricultores locais e incentivar o cultivo do maracujá para fornecimento à associação das doceiras. A iniciativa, além do Sebrae, contou com o apoio da prefeitura municipal que cedeu os insumos para o projeto. A partir daí, em cada uma das quatro comunidades foi utilizada uma área de 0,5 hectare para o plantio. "A produção surpreendeu", diz Ângelo Fahning.

O resultado da colheita não só deu para atender as doceiras, como o excedente foi comercializado em mercados, feiras livres e até outros municípios. Segundo Fahning, com venda do maracujá cada família arrecadou R$ 1,5 mil. O pequeno produtor Arival dos Santos comemora o êxito da nova cultura. "Hoje eu não tenho mais dúvida que o maracujá dá certo na região e vou continuar investindo neste plantio, que remunera bem o nosso trabalho", afirma.

kicker: O resultado da primeira colheita, realizada no início do ano, foi de 4 toneladas de maracujá. A produção foi vendida a R$ 1,30 o quilo

(Gazeta Mercantil/Gazeta do Brasil - Pág. 20)(José Pacheco Maia Filho)