Chuva prejudica 20% da soja e algodão da BA
Historicamente prejudicadas pela falta de chuva, as lavouras baianas desta vez perderam produtividade por causa do excesso delas. As fortes precipitações que atingiram parte do Nordeste brasileiro levaram a safra de soja do oeste da Bahia a sofrer uma quebra de 20%. As lavouras de algodão não saíram ilesas e amargam perdas entre 15% a 20%, segundo informações do presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) Walter Horita. A oleaginosa também sofreu com a estiagem que atingiu a região em fevereiro e com a ferrugem da soja. "Para a economia regional, a perda é de 100%, já que com essa quebra, a margem foi embora, ficando só o custo de produção.", lamenta o dirigente da Aiba e produtor rural.
Horita conta que os lojistas de Barreiras e região estão preocupados com a condição da safra, já que o comércio dos municípios depende diretamente da cadeia da soja.
O presidente da Aiba ainda diz que agora os produtores estão comprando os insumos. "No fim do semestre começam as compras de defensivos." Horita conta que cerca de 30% da safra 2009/10 de algodão está vendida. "No mesmo período do ano passado, 50% da safra já estava comercializada." Já para a soja, as vendas começam neste mês de maio.
Sobre a recuperação do preço do algodão, o presidente da Aiba diz que se deve dos fundos de investimento ao mercado de commodities, o que inclui as agrícolas. "Além disso, o algodão estava muito barato e muitos come-çaram a comprar.", acrescenta Horita. De acordo com ele, entre 30% e 35% do mundo futuro de commodities estão nas mãos dos fundos.
Nas sementes, a Bahia quer avançar em áreas de irrigação durante o vazio sanitário da soja (período de tempo sem plantar entre 15 de agosto e 15 de outubro) para não faltar sementes para a próxima safra. "Estamos em contato com a Agência de Defesa Sanitária para verificar a possibilidade", disse o vice-presidente da Aiba, Sérgio Pitt. Ele lembra que o estado é importador de sementes, e que os outros estados não produzem excedentes que possam ser exportados.
Financiamento
Em relação ao crédito para os produtores do oeste baiano, Pitt diz que os maiores problemas são o acesso e o custo do recurso. "O custo é o maior gargalo. Os juros subiram muito." Segundo ele, a tendência é que este ano o financiamento das safras volte aos padrões de anos anteriores, com a produção financiada com recursos do produtor, dos bancos e das tradings. "A tendência é que a situação do mercado de crédito fique mais normalizada.", avalia.