Como controlar o nematóide de cisto da soja
Verme está espalhado em praticamente todos os municípios sojicultores
Fernanda Yoneya
A facilidade de disseminação do nematóide de cisto da soja tem deixado em estado de alerta pesquisadores. A praga já está presente em quase todos os municípios sojicultores, infestando, segundo a Embrapa Soja, mais de 2 milhões de hectares. Essa espécie de nematóide foi identificada, pela primeira vez, na safra 1991/1992 e, já em 1996/1997, espalhava-se por mais de 60 municípios em 7 Estados.
A forma mais comum de disseminação do nematóide é por partículas de solo contaminadas, propagadas pelo vento, por implementos agrícolas, torrões e até por calçados. "Normalmente, o nematóide chega pelas estradas, pois ele vem aderido ao solo que fica grudado em pneus", diz o pesquisador Waldir Pereira Dias, da Embrapa Soja. "Por isso, é fundamental lavar e desinfetar pneus que tenham rodado em áreas atacadas", diz a pesquisadora Márcia Yuyama, da Fundação MT.
SINTOMAS
Os principais sintomas do ataque do nematóide - um verme que se instala na raiz da soja - são as reboleiras (manchas amarelas), facilmente identificadas na lavoura, e plantas menores, "embora haja casos no Paraná nos quais as plantas não sofreram alterações", diz Dias. Márcia explica que, como o nematóide penetra nas raízes, a absorção de água e nutrientes fica comprometida, e a planta morre. Para ter certeza do ataque, ideal é enviar amostras de solo a um laboratório de nematologia.
Já que "erradicar o nematóide de cisto da soja é impossível", conforme Dias, o ideal é combinar medidas de controle: rotação de culturas, plantio de soja resistente e manejo adequado de solo. Em relação ao manejo, o plantio direto é recomendado, por estimular a ação de inimigos naturais. A rotação de culturas é fácil, pois a gama de hospedeiros do nematóide é limitada. "Ele se multiplica na soja e em outras poucas leguminosas, como o feijão." Por isso, milho, sorgo, arroz, algodão, girassol, mamona, cana, trigo e demais gramíneas podem ser usadas.
O uso de cultivares resistentes à doença é o método mais econômico e eficiente, mas a grande variabilidade genética do parasita tem dificultado a vida de produtores, embora haja, atualmente, segundo Dias, cerca de 30 cultivares resistentes. Segundo Márcia, a maioria dos cultivares existentes no País é resistente apenas às raças 1 e 3 do nematóide. Ou seja, as outras raças não têm cultivares resistentes. A Embrapa já monitorou várias lavouras e o agricultor pode consultar esse banco de dados e avaliar as condições de sua região.
SAIBA MAIS: Embrapa Soja, (0--43) 3371-6000; Fundação MT, tel. (0--66) 3439-4100