Dólar fraco afeta ganho com açúcar de exportação

25/05/2009

Dólar fraco afeta ganho com açúcar de exportação

 


A volta dos fundos para o mercado de commodities vem trazendo ganhos para os preços do açúcar na Bolsa de Nova York (Nybot), mas no mercado físico, as cotações vêm perdendo força na exportação. Nos últimos quinze dias, os preços da commodity na bolsa americana subiram 5,1% para 16,63 centavos de dólar por libra-peso. Mas o dólar desvalorizado e o aumento dos descontos nos portos brasileiros (o que pode indicar que a demanda pelo açúcar do Brasil não está tão aquecida) na, realidade, resultaram em queda no preço do produto de exportação. "Os preços do açúcar de exportação recuaram 4% nos últimos 15 dias. Além da queda do dólar, os descontos nos portos saíram de 0,40 centavos de dólar por libra-peso para 0,65 centavos de dólar por libra-peso", pondera Arnaldo Luiz Corrêa, da Archer Consulting.

Apesar de ter ocorrido em menor proporção, os preços no mercado interno do produto também sofreram leve arrefecimento na última quinzena, saindo de R$ 45,10 a saca (50 quilos) no dia 8 de maio para R$ 44,46 na última sexta-feira (-1,4%), segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP).

Corrêa argumenta que o movimento de alta na Nybot vem na contramão do que os fundamentos vêm indicando. A Organização Internacional de Açúcar (ISO, sigla em inglês), por exemplo, divulgou na última semana que o déficit mundial do produto, antes estimado em 7,8 milhões de toneladas, agora deve ser de 4,5 milhões de toneladas na safra 2009/10, que se encerra no final de setembro de 2010. "O mercado está subindo por outras razões, que não os fundamentos. Trata-se da volta dos fundos às commodities", acrescenta Corrêa.

Para ele, há no momento a formação de uma bolha especulativa e, os produtores e exportadores de açúcar que estão aguardando preços ainda maiores para fixar, podem "se dar mal". A demanda da Índia não está ocorrendo na dimensão que se esperava. A procura vai existir, mas não na magnitude aguardada", avalia Corrêa.

Há rumores, por exemplo, de que um grande recebedor de açúcar (negociado na Nybot) estaria tentando fazer wash-out (cancelar contratos comercial entre partes, em geral, envolvendo compensações financeiras) para não receber o produto. "Se isso for verdade, será uma séria indicação de que a demanda esperada não está decolando".

O especialista estima que cerca de 30% da safra atual ainda não tenha tido seus preços hedgiados (fixados), sobretudo por falta de crédito. "Algumas usinas não estão fixando por falta de financiamento pelas corretoras. Além disso, as tradings não querem assumir riscos. Elas dificultam e limitam as vendas", afirma José Carlos Toledo, presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), que representa as usinas do Oeste paulista.

Índia

As exportações brasileiras de açúcar cresceram 56% entre janeiro e abril deste ano na comparação com igual período do ano passado. Foram US$ 1,8 bilhão, ante US$ 1,16 bilhão do mesmo quadrimestre de 2008. Em volume, o aumento foi de 40%. A queda da tarifa de importação (que era de 60%) de açúcar branco pelo governo da Índia ajudou o país a liderar a pauta brasileira de exportação da commodity. Foram 787 mil toneladas comprados pelos indianos, ante um volume nulo negociado no mesmo quadrimestre do ano passado.