Projeto de horta educativa atende a portadores de necessidades especiais

08/06/2009

Projeto de horta educativa atende a portadores de necessidades especiais

 

 

As Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), em parceria com a Secretaria da Agricultura Irrigação e Reforma Agrária (Seagri) – através da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) –, lançam amanhã (09), às 9h, na sede da OSID (Largo de Roma), o projeto “Unidade Didática Horta Educativa”. A iniciativa tem o objetivo de promover a inclusão social de jovens e adultos com necessidades especiais, ou não, através de atividades práticas como o cultivo de hortaliças, além de trabalhar a noção de conhecimentos sobre educação ambiental e alimentar, agroecologia, cidadania, jardinagem e agricultura urbana.

O projeto beneficiará diretamente a 120 pessoas e, de forma indireta, a 480 famílias do entorno do Hospital Irmã Dulce, tendo sua execução a cargo da OSID e a coordenação, capacitação e supervisão realizadas pela EBDA. As ações do projeto serão planejadas com a participação de técnicos especializados, além de pessoas treinadas que atuarão como instrutores multiplicadores dos conhecimentos práticos.

Segundo Emerson Leal, presidente da EBDA, a parceria da empresa com as Obras Irmã Dulce estabelece uma nova relação de responsabilidade social entre a EBDA e a instituição. “A expectativa é de que esta parceria apresente resultados que beneficiem as comunidades urbanas, e contribua, de forma direta, para o desenvolvimento das habilidades das pessoas envolvidas na iniciativa” disse Emerson.

A horta educativa terá um papel importante como terapia ocupacional e alternativa de capacitação para o trabalho de pessoas com deficiência, ou não, que necessitem desenvolver habilidade em uma atividade produtiva. Os trabalhos serão direcionados para o cultivo agrícola, orgânico, em área urbana. Serão enfocados conceitos práticos de valores sociais, políticas do trabalho com a terra, manipulação de ferramentas, plantio, colheita e noções de comercialização. A dinâmica permitirá autonomia para o desenvolvimento de atividades em projetos de horta e jardinagem, nas comunidades, bem como o domínio da técnica para o cultivo de hortaliças em seus próprios quintais, no intuito de melhorar a alimentação familiar e servir como uma alternativa de renda.

De acordo com o agrônomo da EBDA e técnico responsável pelo projeto, Antônio Carneiro do Rosário, a ampliação das atividades da Unidade Didática Horta Educativa é uma forma de promover a inclusão social de jovens e adultos nas áreas urbanas das grandes cidades. “A horticultura, com base nos princípios da agroecologia, além de ser uma atividade econômica, tem como objetivo principal desenvolver, junto aos participantes, a consciência da importância da preservação ambiental e melhoria da qualidade de vida, através da produção e consumo de alimentos saudáveis”, afirmou o técnico.

A horta

A Unidade Didática é constituída por canteiros suspensos, em tubos PVC, visando o aproveitamento do espaço cultivado e o atendimento às pessoas com limitações físicas. Já os canteiros, no solo, em folhas de PVC, visa à melhor utilização de adubos e de compostagem. Essas técnicas, garantiu Antônio Carneiro, viabilizam a dinâmica e funcionalidade das atividades, além da composição estética.

Segundo o professor e responsável técnico do Centro de Reabilitação e Prevenção de Deficiências (CRPD), da OSID, Jorge Nascimento de Oliveira, a seleção dos participantes será mediante entrevistas de avaliação, priorizando as pessoas com necessidades especiais, do núcleo social e da comunidade, que tenham interesse no trabalho de horticultura. As vagas serão distribuídas obedecendo ao seguinte critério, 70% para deficientes e os 30% restantes, para moradores das comunidades vizinhas.

A metodologia de ensino utilizada permitirá aos educandos a participação de turmas de, no máximo, 30 pessoas, nos turnos matutino e vespertino, com 80% das aulas ministradas na forma de treinamento e serviço. O funcionamento será de segunda a sexta-feira, das 08 às 17 horas, com carga horária de 90 horas, desenvolvidas na própria Unidade Didática. Os participantes que tiverem hortas domiciliares terão acompanhamento, diretamente em suas residências.

Histórico

O início do programa, em junho de 1994, teve como objetivo atender a 16 moradores que apresentavam distúrbio de comportamento, os quais permaneciam, na maior parte do tempo, sem atividades.  A princípio, o espaço físico de 146 m² era composto com áreas para atividades técnicas, depósitos de ferramentas e canteiros para cadeirantes (pessoas que usam cadeiras de rodas). A proposta inicial do projeto era de buscar a independência, valorização e auto-estima dos participantes, a partir do manejo simples com a terra. Os primeiros cultivos foram com ervas medicinais.

Em 1997, foram ampliados os canteiros, abrangendo plantas ornamentais, e um plano de arborização dos espaços externos do Centro. Todos os jovens envolvidos na horta participaram da preparação da terra e do plantio de árvores frutíferas.

Nas atividades do Centro, os beneficiários se envolvem em todas as etapas, pesquisam preços e fazem as compras de material. Para comercialização do excedente dos produtos cultivados, já que parte da produção é voltada para a melhoria da alimentação, são realizadas feiras internas - entre os funcionários -, e ainda a participação em feiras externas, nas comunidades circunvizinhas.

Com a doação de um terreno de 418m², e o apoio técnico da EBDA, o CRPD ampliou a estrutura e as atividades em horticultura. “A empresa fez indicações de correção do solo, e a horta, hoje, conta com um sistema de escoamento de águas fluviais, por meio de drenagem subterrânea, e de um sistema de irrigação”, explicou Jorge Nascimento. Com as orientações, também foi possível ampliar os cultivos de leguminosas, ervas medicinais e plantas ornamentais, utilizando adubo orgânico, bem como o combate às pragas e doenças, utilizando recursos bionaturais.

 

Fonte:
Assimp/EBDA