PIB brasileiro tem queda de 0,8% no primeiro trimestre do ano

10/06/2009

PIB brasileiro tem queda de 0,8% no primeiro trimestre do ano

 

 

A economia brasileira teve um recuo de 0,8% no primeiro trimestre do ano na comparação com o quarto trimestre de 2008 e a maior redução foi registrada no setor industrial, cuja queda na produção chegou a 3,1%. Na agropecuária, a queda foi de 0,5%. Já o setor de serviços apresentou elevação de 0,8%.

Em relação ao primeiro trimestre de 2008, o PIB teve queda de 1,8%. Na taxa acumulada nos quatro trimestres terminados em março, o crescimento do PIB foi de 3,1% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

MANTEGA: RESULTADO DO PIB FOI MELHOR DO QUE PROJEÇÕES

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem (9/6) que o resultado da economia no primeiro trimestre deste ano foi melhor do que o mercado estava projetando.

"Aliás, ninguém acertou. Todo mundo estava falando que ia cair 3%, 2,5%, 2% e na verdade a queda foi de 0,8%".

Segundo o ministro, a baixa se deveu fundamentalmente à queda de investimentos na indústria de modo geral. Ele lembrou que o consumo das famílias e do governo sustentaram o nível de atividade.

Mantega disse também que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou satisfeito com o resultado, que mostra a capacidade de recuperação da economia brasileira.

ESFORÇO ANTICRISE

Ainda segundo ministro da Fazenda, Guido Mantega, o governo deve manter o esforço de "política monetária e fiscal anticrise" para que a economia alcance o crescimento de 1% neste ano.

Segundo Mantega, são necessárias medidas que permitem aumentar o crédito, com atuação mais forte dos bancos públicos e redução do custo dos financiamentos.

O ministro acrescentou que não comenta sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), reunido ontem (9/6) e hoje (10/6) para definir a taxa básica de juros, a Selic. A redução da Selic é considera uma forma de estimular a atividade econômica.

Mantega também afirmou que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de bens e serviços produzidos no país - do primeiro trimestre "é o olhar pelo retrovisor", e que a economia tem mostrado sinais de recuperação, como nas vendas de veículos, no setor da construção civil e de gás e energia.

Para o ministro, a retomada do crescimento será de forma gradual. "Vamos deixando para trás os resultado negativos e vamos tendo resultados positivos".

NOVAS MEDIDAS

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem (9/6) não é somente com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que se estimula a economia.

"Existem outras medidas que podem ser tomadas, mas que os senhores conhecerão a seu tempo", disse aos jornalistas. Sem dar detalhes, Mantega também afirmou que o governo deve adotar medidas para estimular setores que apresentem dificuldades.

Mantega acrescentou que medida provisória com as regras de operação do Fundo Garantidor de Crédito para a Pequenas e Médias Empresas foi assinada no último dia 8 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deve sair na edição de hoje (10/6) no Diário Oficial da União.

"O BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] já está preparando as regras para a viabilização desse crédito. Queremos fazer um aporte do Tesouro e esse fundo de aval criado no BNDES já está saindo".

EXPORTAÇÕES: TENDÊNCIA DE CRESCIMENTO EM JUNHO

A média diária das exportações brasileiras ficou 20,2% menor, na primeira semana de junho do que a média registrada no mesmo mês do ano passado. Em compensação, aumentou 17,9% em relação à média diária de maio deste ano e contribuiu para o bom desempenho da balança comercial, que contabilizou saldo de US$ 1,208 bilhão entre os dias 1º e 5 deste mês.

Também contribuiu para isso o fraco movimento das importações, que caíram 38,4% em comparação com a média diária de junho de 2008 e se mantiveram quase no mesmo patamar do mês anterior, com retração de 0,3%, de acordo com boletim divulgado no último dia 8 pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

Na comparação com maio, os exportadores nacionais venderam mais 25,4% de produtos semimanufaturados (ferro-liga, alumínio em bruto, óleo de soja, couros e peles, dentre outros), mais 20,4% de produtos básicos (petróleo cru, minério de ferro, cereais, carne e outros) e mais 14,3% de produtos manufaturados (automóveis, autopeças, celulares, calçados, etanol, motores e geradores, aviões e tudo o mais com agregação de tecnologia).

Na comparação com junho de 2008, houve retrações fortes nas três categorias de produtos: de 28,4% nos produtos manufaturados, de 14,1% nos semimanufaturados e de 10,5% nos básicos. Estes, formados em grande parte por commodities (matérias-primas com cotação internacional; principalmente petróleo, minérios e alimentos), que tiveram preços achatados no auge da crise financeira mundial, no quarto trimestre de 2008, e só agora esboçam alguma reação.

O boletim do Ministério do Desenvolvimento ressalta que, no acumulado do ano, no total de 106 dias úteis até o último dia 5, as vendas internacionais de produtos brasileiros somaram US$ 59,018 bilhões, o que dá média diária de US$ 556,8 milhões. No mesmo período de 2008, com 107 dias úteis, as exportações obtiveram média de US$ 716,3 milhões. Houve, portanto, queda de 22,3%.

As importações, no entanto, caíram ainda mais no período, com retração de 27,8%. Por esse motivo, o superávit comercial (saldo positivo entre exportações e importações) de US$ 10,580 bilhões está 18,12% maior neste ano, em relação aos US$ 8,957 bilhões de saldo registrados em igual período do ano passado.

 

Fonte:
Agência Brasil
Cristiane Ribeiro, Daniel Lima, Kelly Oliveira e Stênio Ribeiro - Repórteres
Tereza Barbosa e Nádia Franco - Edição