Empresários brasileiros buscam negócios na área agrícola no Senegal

10/06/2009

Empresários brasileiros buscam negócios na área agrícola no Senegal

 

 

A missão de 80 empresários brasileiros à Africa Subsaariana chegou ao Senegal. No segundo país a ser visitado durante a viagem, a agricultura deve prevalecer entre os temas de comércio. O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, abriu na manhã de ontem (9/6) a exposição Brasil Agri-solutions e também participou do Fórum Brasil-África Subsaariana, que tem painéis sobre desenvolvimento agrícola, agricultura familiar e biocombustíveis.

"O Brasil está pronto a compartilhar sua experiência e conhecimentos com a África. O Brasil tem muito conhecimento para transmitir na produção de grãos, frutas, hortaliças e na criação de gado bovino, de suínos e de aves. Pretendemos implementar uma cooperação muito diferenciada", afirmou o ministro no discurso de abertura do fórum.

O Senegal tem 2 milhões de hectares agricultáveis, segundo Miguel Jorge, "com condições climáticas propícias para plantar matérias-primas, como a cana-de-açúcar, utilizada na produção de etanol, e o pinhão-manso, na de biodiesel".

Os produtos de origem na agroindústria como arroz em grãos, óleo de soja, açúcar refinado, leite concentrado, pimenta em grão, carne bovina e ovos de galinha estão entre os dez de maior comércio com Senegal entre janeiro e abril deste ano.

Em 2008, os destaques foram adubos e fertilizantes. Naquele período, o Brasil exportou US$ 37,6 milhões em mercadorias e importou apenas US$ 278 mil. Neste ano, o volume de exportações está 17,4% abaixo do verificado nos primeiros quatro meses do ano passado. Em 2008, a corrente de comércio entre os dois países atingiu US$ 184,2 milhões.

A visita dos empresários brasileiros ao Senegal é bem-vinda, garante o embaixador do país no Brasil, Fodé Seck. "É muito importante e estratégico tanto para o Brasil quanto para Senegal e África."

Segundo o embaixador, a aproximação com Senegal pode viabilizar negócios no lado oeste do continente, uma vez que o presidente senegalês, Abdo Ulaye Wade, é coordenador de quatro de oito áreas de cooperação no comércio interafricanas: infraestrutura, transporte, energia, agricultura e comunicação.

Além do continente, Senegal tem acesso à exportação sem cota para a União Europeia, os Estados Unidos e o Canadá, de acordo com Fodé Seck. Ele assegura que o país está à frente do "pan-africanismo" e se pauta pela articulação "Sul-Sul entre as nações em desenvolvimento Sul-Sul".

A importância de Senegal é reconhecida pelo presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Alessandro Teixeira. "É o país mais agressivo do ponto de vista cultural e comercial."

Entre 1º e 14 de dezembro deste ano, Senegal promoverá o Festival de Arte Negra, lançado em Salvador no mês passado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será convidado de honra na abertura do evento.

FINANCIAMENTO E TRANSPORTE DESAFIAM AUMENTO DO COMÉRCIO COM A ÁFRICA

O comércio do Brasil com o continente africano tem crescido sistematicamente nos últimos tempos e pulou em cinco anos de US$ 5 bilhões para US$ 26 bilhões. No Senegal, por exemplo, a corrente de comércio (extremamente favorável ao Brasil) cresceu 534% de 2002 para 2008 (atingindo US$ 184 milhões).

A maior presença de produtos brasileiros na África, no entanto, tem dois grandes desafios: aumentar a disponibilidade de crédito para exportação brasileira, para a importação africana e para financiamento de projetos; e melhoria da conectividade com o continente, por meio dos transportes marítimo e aéreo.

"Temos que melhorar as conexões aéreas e marítimas e precisamos ter instrumentos de crédito mais dinâmicos. A vontade de fazer compras no Brasil é grande, temos que saber aproveitar", assinala Luís Fernando Serra, embaixador no Brasil em Gana.

Linhas de transporte e de financiamento também preocupam o diretor do Departamento da África no Itamaraty, Fernando Simas Magalhães. Segundo ele, não há linha mercante entre o Brasil e a África.

A limitação torna as vendas brasileiras dependentes de transportadores estrangeiros com rotas mais escassas para a África. Segundo Magalhães, o problema é que três ou quatro operadoras fora do controle brasileiro levam os conteineres nas rotas de maior rentabilidade.

Além do transporte, Simas Magalhães destaca a questão do crédito. Segundo ele, a missão de empresários à África Subsaariana pode ser uma oportunidade para entender "toda a mecânica" do financiamento.

Ele questiona a "restrição tão forte" aos créditos brasileiros. "O que tem hoje funcionando de forma eficaz em crédito para o mercado africano?".

Para Eduardo Moraes, gerente da Latinex, trading (empresa de exportação e importação) que atua em 15 países da África, o crédito é um fator essencial.

"Por muito tempo, a gente não conseguiu entrar. Como é que íamos fazer negócio se não conseguíamos obter crédito barato no Brasil?".

Segundo o executivo, o Brasil tinha "desvantagem história" em relação à concorrência européia. "As tradings da Europa tomavam crédito oficial barato e com prazo de até 120 dias para pagar", lembra ao dizer que a crise econômica nos países desenvolvidos trouxe equilíbrio às condições de financiamento.

Alessandro Teixeira, presidente da Apex-Brasil, admite as dificuldades, mas já vê mudanças a curto prazo.

"À medida que for melhorando o comércio nós teremos não somente a pressão empresarial, mas a própria pressão dos compradores africanos para que tenha linhas de financiamento", assegura, lembrando que quando o comércio era inexistente não havia razão para desenvolver mecanismos que facilitassem o comércio.

Segundo Teixeira, já estão disponíveis linhas aéreas regulares para a África do Sul, Angola e outra com destino à Turquia com Escala em Senegal. "Isso só vai melhorar quando houver um volume maior de comércio entre o Brasil e a África", tem esperança.

Fonte:
Agência Brasil
Gilberto Costa - Enviado Especial
Juliana Andrade - Edição