Secretário defende industrialização do cacau

15/06/2009

Secretário defende industrialização do cacau

 

Foto: Ascom/Seagri


“Apenas 3 a 5% do que é produzido fica com o produtor de cacau. A maior parte fica com a indústria e o comércio. Fazer crescer esse percentual, aumentar a produtividade e a lucratividade são os grandes desafios que temos que enfrentar”. A afirmação foi feita na manhã desta segunda-feira, (15.06), pelo secretário da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Roberto Muniz, ao participar da abertura do Workshop Internacional sobre Políticas do Cacau, promovida em Salvador, no Bahia Othon, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mapa, e pela Aliança dos Países Produtores de Cacau, Copal.

Falando para representantes dos governos de Camarões, Costa do Marfim, República Dominicana, Gabão, Malásia, Nigéria, São Tomé e Príncipe, e Togo, países que com o Brasil formam a Copal e juntos produzem 24 milhões de toneladas/ano de cacau, (75% da produção mundial), o secretário Roberto Muniz destacou a necessidade de qualificar a produção e verticalizar a cadeia, estimulando a instalação de indústrias de chocolate. “Não é justo exportar nossa amêndoa e recebê-la de volta com outro nome. Precisamos ampliar nossa participação no mercado consumidor”.

O workshop, promovido pelo Mapa e pela Copal, prossegue até o dia 19 com o objetivo de definir uma postura harmônica nas políticas dos países membros da Aliança para um posicionamento firme diante do mercado mundial. “O mercado consumidor dita o preço, diz quanto quer pagar. Temos que romper esta amarra”, afirma o secretário. Do encontro iniciado hoje sairá um documento para balizar a posição da Copal durante a conferência internacional marcada para acontecer nos dia 16 a 21 de novembro deste ano, na Indonésia.

Participaram da abertura do evento, além do secretário Roberto Muniz, o diretor da Ceplac, Jay Wallace da Silva e Mota, representando o ministro da Agricultura; o presidente da Assembléia Geral dos Países Produtores de Cacau, Enselme Gouthon; o secretário geral da Copal, Sona Ebai; a superintendente federal da Agricultura no Estado da Bahia, Maria Delian Sodré; o presidente do Comitê Científico da Copal e pesquisador da Ceplac, João Louis Pereira; o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau, Fausto Lavigne Pinheiro; o presidente da Associação dos Produtores de Cacau, Henrique Almeida, e o presidente da Federação da Agricultura do Estado da Bahia, João Martins, dentre outras autoridades.

Meio Ambiente

Foto: Ascom / Seagri
O secretário da Agricultura da Bahia destacou os esforços do governo para recuperar a lavoura cacaueira, e disse que “através do PAC estamos renegociando as dívidas dos produtores e discutindo a sustentabilidade do setor”. Muniz lembrou que o cacau é a única cultura que protege o meio ambiente e acentuou que como produção agroflorestal o cacau preserva na Bahia um bioma importante para o País, que é a Mata Atlântica.

A renegociação da dívida é o primeiro passo, disse o secretário, apontando outras ações como o adensamento da produção do cacau, com aumento da área planta e surgimento de plantações em outras regiões do Estado, a diversificação das culturas e a verticalização da cadeia produtiva. O secretário lembrou que na semana passada a Seagri iniciou a distribuição de um milhão de mudas de seringueiras, e disse que já foram distribuídas 70 mil mudas de dendê, 250 mil mudas de fruteiras e um milhão de mudas de cacau produzidas pelo Instituto Biofábrica do Cacau.

Com relação à industrialização, o secretário informou que já existem empresários interessados em investir no setor. “Não temos mais como abrir mão dos lucros, da capacidade de gerar emprego e renda. Esse desafio não é apenas nosso, a luta é conjunta de todos os países produtores de cacau. Aqui no Brasil estamos retomando as discussões e executando ações para qualificar ainda mais o nosso cacau”.


Fonte:
Josalto Alves – DRT-Ba 931
Ascom / Seagri