Agricultura conhecem técnicas para montar cisternas produtivas

25/06/2009

Agricultura conhecem técnicas para montar cisternas produtivas

 

Um projeto do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada em Jaguarari (400 km de Salvador) está levando a 20 produtores rurais de comunidades da zona rural a oportunidade de aproveitar água de chuva não só para consumo humano, como também para captar e reservar em cisternas para o plantio de hortaliças. A ideia faz parte do Projeto P1 + 2, que significa 1 terra, 2 águas e está mudando a realidade de dezenas de agricultores que só viam verduras e hortaliças em dias de feira.

De acordo com o coordenador do Irpaa em Jaguarari, Celso Bonfim, oito comunidades com aproximadamente 104 famílias fazem parte dos projetos desenvolvidos na região e são os primeiros beneficiados. Vinte cisternas chamadas “calçadão”, com capacidade de armazenamento de 52 mil litros de água, foram construídas. Em algumas, o processo produtivo já começou, mas ainda falta dar continuidade às demais. “Cada cisterna tem oito canteiros com hortaliças para alimentação das famílias, e o excedente poderá ser vendido ajudando na renda familiar”, explica Celso.

Sem custos para as famílias que entram com a mão-de-obra, as cisternas calçadão e os canteiros são implantados com valor total de construção e produção de R$ 6.950, com recursos do Ministério do Desenvolvimento Social, que repassa à Articulação do SemiAacute;rido (ASA), que articula junto ao Irpaa.

PROPOSTA – Além das cisternas produtivas, o projeto também contempla as famílias com a construção de barragens subterrâneas, que têm custo de R$ 6.450. A intenção dos coordenadores do projeto em Jaguarari é que, desde o dia 15, as famílias estivessem com o projeto implantado em caráter produtivo.

A garantia de bons resultados para o projeto em Jaguarari se dá pela força do índice pluviométrico na região e na resistência ao volume de água, com o umbu enxertado, umbu gigante e os que produzem em maior quantidade, mesmo com muita chuva, como a pinha.

Cada produtor receberá 100 mudas de fruteiras típicas regionais.

Segundo Celso Bonfim, a região de Jaguarari possui dois regimes de chuvas que vão de novembro a janeiro, têm uma parada e depois retomam em meados de fevereiro até abril.

“A primeira chuva vem do centro-sul e a segunda vem do norte, além das chamadas chuvas de inverno, que vêm do litoral.

Temos diferentes situações climáticas, com altitudes variadas devido às condições geográficas e que provocam os contrastes climáticos comuns à nossa região”, informa Celso.

Tudo isso anima quem será beneficiado, a exemplo do produtor Cândido Araújo Neto, que mora na localidade de Carro Quebrado, distante 40 km de Jaguarari.

A maioria das famílias, diz, trabalha com criação de caprinos e ovinos e algum plantio de sequeiro com feijão, milho e mandioca. Para Neto, o projeto será de grande utilidade, mas é necessário que cada família possua uma cisterna de captação de água da chuva.

Raimundo Araújo dos Santos, presidente da Associação Agropastoril de Bruteiro, outra localidade da região de Jaguarari, espera que as barragens subterrâneas que serão construídas dentro do mesmo projeto tragam mais benefícios às comunidades que, juntamente com as cisternas produtivas, “vão levar água acumulada de chuva”.

CURSOS – O projeto prevê ainda realização de cursos de capacitação para os produtores assistidos com trabalho educativo feito no sentido de aprendizado sobre cultivo de hortaliças, orientação de manejo do solo, das plantas e tratos fitossanitários de forma orgânica. A esperança de ver tudo isso em funcionamento e com plantas à mostra já faz parte do dia-a-dia da produtora Iraci da Silva Santos, de 43 anos.

Ela mora com o marido, Paulo Ferreira dos Santos, no povoado de Conceição, distrito de Flamengo, região de Jaguarari. Numa área de 10x20 m, o calçadão de cimento foi construído e, ao lado, a cisterna de 52 mil litros.

A água que cai da chuva no calçadão escorre para a cisterna e é de lá que ela retira a água para levar ao canteiro de hortaliças.

O canteiro retangular foi construído com uma tecnologia estratégica, colocando-se uma lona abaixo da terra plantada para que a água jogada nos canos de PVC – localizados nas extremidades – possa infiltrar, fazendo com que o terreno fique úmido e a evaporação seja menor.

“Por enquanto, tenho plantado aqui coentro, cebolinha e alface, mas vamos ter tomate e pimentão”, ressalta a agricultora.

“Isso aqui para nós foi a maior riqueza que nos trouxeram”, assegura Iraci. Na propriedade dela e do marido, ainda não há energia elétrica, mas a placa de energia solar em cima da casa “nos serve até que o projeto do governo chegue aqui”, como já existe em povoados vizinhos.