Países criam 3 barreiras comerciais por semana

25/06/2009

Países criam 3 barreiras comerciais por semana

 

OMC deve publicar nos próximos dias nova lista negra de medidas protecionistas adotadas para ""combater"" a crise


As maiores economias do mundo prometeram que não iriam recorrer a medidas protecionistas. Mas, desde o acirramento da crise global em setembro do ano passado, quase três barreiras ou medidas que distorcem o mercado internacional foram adotadas no mundo a cada semana. Os cálculos são do Global Trade Alert, um centro de estudos financiado pelo Banco Mundial e pelo governo inglês exatamente para monitorar a proliferação de medidas protecionistas pelo mundo.

Para os países em desenvolvimento, os grandes vilões não são as medidas pontuais de outros mercados emergentes, mas os subsídios bilionários de Estados Unidos e Europa a suas indústrias.

No total, o Global Trade Alert indica que já foram mais de cem medidas com o potencial de criar distorções, algumas delas no Brasil. A Organização Mundial do Comércio (OMC) deve publicar nos próximos dias sua nova lista negra de barreiras adotadas pelo mundo. O documento estava previsto para sair ontem. Mas, temendo desagradar a ministros de Comércio reunidos em Paris, a OMC vai segurar a conclusão da lista por alguns dias.

O Brasil, apesar de criticar o protecionismo em praticamente todos os fóruns internacionais, aparece na lista do Global Trade Alert como tendo usado barreiras, principalmente contra as importações chinesas.

Mas as novas medidas vão desde a exigência de se empregar trabalhadores locais em indústrias e restaurantes da Malásia como barreiras à carne de porco na Rússia ou obrigar funcionários públicos a usarem roupas produzidas localmente.

Todos concordam que, nos anos 30, a guerra protecionista aprofundou a crise e retardou a recuperação. Muitos ainda insistem nos organismos internacionais que o protecionismo deve ser evitado a todo custo. Mas com a pressão de eleitores e com o risco de um desemprego em massa, vários governos vêm se curvando ao protecionismo.

Ontem, a Coreia do Sul anunciou que deve dobrar as tarifas de importação para produtos como trigo e até gás natural.

Um governo de uma província australiana adotou medidas para impedir a concorrência externa em projetos de licitação local. No Equador, centenas de tarifas foram elevadas.

A Índia promoveu uma alta nas taxas de importação de brinquedos chineses, além de adaptar uma série de novas exigências técnicas para outros produtos. Anand Sharma, o novo ministro do Comércio da Índia, admitiu que as importações chinesas são uma grande preocupação para parte de sua indústria.

Enquanto isso, a Indonésia reduziu o número de portos pelos quais as importações podem entrar. Além disso, o governo sugeriu que todos os 4 milhões de funcionários públicos do país usassem apenas roupas e sapatos fabricados no país.

Mas o maior impacto, segundo os países emergentes, vem dos subsídios dados pela Europa e EUA em seus planos de relançamento da economia. Montadoras receberam bilhões de dólares, além de medidas para a ajudar o setor siderúrgico.

Na China, os pacotes de ajuda de mais de US$ 500 bilhões também foram avaliados como sendo um potencial mecanismo para garantir a competitividade dos produtos chineses e, portanto, distorcer os mercados. A principal preocupação de governos em todo o mundo é com a facilidade que empresas chinesas terão a partir de agora em licitações . O governo chinês é o maior investidor do país, mas o temor dos países é de que suas empresas fiquem de fora desse mercado bilionário.

Algumas das principais barreiras e medidas protecionistas dos últimos 9 meses


Protecionismo

América do Sul

Brasil - Elevou tarifas de importação para o aço, principalmente chinês

Equador - Elevou tarifas de importação para quase 5 mil produtos

 

Exportadores sul-americanos foram os mais afetados


EUA - Pacote de resgate da economia prevê privilégios às indústrias nacionais em licitações e no setor siderúrgico

Subsídios às exportações de leite, que haviam sido eliminadas, voltaram a ser aplicadas para ajudar os produtores locais.

Argentina, Uruguai, Brasil, Austrália e Nova Zelândia estão entre os mais afetados, já que precisam concorrer contra produtos com preços artificiais


Montadoras receberam


US$ 14 bilhões, o que daria uma competitividade maior em comparação às indústrias de outros países pelo mercado internacional


Europa

UE - Volta dos subsídios aos exportadores de leite, afetando competitividade de países emergentes no setor

Reino Unido - Novas restrições na entrada de trabalhadores estrangeiros

Rússia - Moscou usou a gripe suína para adotar restrições à carne de porco de vários países

Ucrânia - Elevação das taxas de importação em 13% para ""ajustar a balança de pagamentos""


Ásia e Oceania


Austrália - Governo de uma província australiana também adotou medidas para impedir a concorrência externa em projetos de licitação local

Índia - Elevação das taxas de importação de brinquedos chineses, além de adotar uma série de novas exigências técnicas para outros produtos.

Indonésia - País reduziu o número de portos pelos quais a importações podem entrar. Além disso, o governo sugeriu que todos os 4 milhões de funcionários públicos do país usassem apenas roupas e sapatos fabricados localmente

China - País adota o "Buy China", facilitando empresas chinesas em licitações públicas. O governo chinês é o maior investidor do país, mas o temor de países é de que suas empresas fiquem de fora desse mercado bilionário

Coreia do Sul - País anunciou que vai dobrar as tarifas de importação para produtos como trigo e até gás natural.