Flores e folhas dão outra cor na lavoura
As cores vibrantes, com tons avermelhados, alaranjados e amarelos, chamam a atenção. São helicônias, alpínias, antúrios, orquídeas e folhagens no lugar de cacau. O ataque da vassourade-bruxa, que dizimou a lavoura cacaueira no interior do Estado, no fim da década de 80, fez com que produtores rurais buscassem meios de revitalizar as fazendas, ocupando as roças de cacau com outras culturas.
O cultivo de flores tropicais, um mercado ainda em crescimento na Bahia, surgiu como alternativa rentável para os produtores e gerou emprego para inúmeras famílias que trabalhavam nas lavouras cacaueiras. A floricultura na Bahia emprega 1.500 pessoas na produção, e, no processo de transformação, chega a dez mil. A área cultivada total é de 500 hectares.
De acordo com a Secretaria de Agricultura do Estado (Seagri), a Bahia hoje produz cerca de 20% das flores que consome e se apresenta sempre num número crescente e evolutivo em flores subtropicais, de clima frio.
Nas flores tropicais, de clima quente, produz 80% do que é consumido. “O Programa Flores da Bahia se preocupou, inicialmente, em atender à demanda interna do Estado. Há aproximadamente dez anos produzia apenas 3% das flores consumidas internamente, por isso não se preocupou em expandir em produção para outros Estados.
Entretanto, a Bahia deve estar em sétimo ou oitavo lugar na Federação, atrás de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Ceará e Pernambuco”, salientou o agrônomo Ivson Andrade, do Flores da Bahia.
BONS SOLOS – A produção de flores e plantas ornamentais se desenvolve em diversas regiões do Estado, e é grande a diversidade de espécies cultivadas, tanto de clima tropical como subtropical ou temperada.
Os bons solos e o clima tropical úmido foram essenciais para o cultivo de espécies vegetais com potencial ornamental. Além disso, as flores tropicais têm fortes aliados, como a durabilidade pós-colheita que chega a 15 dias e aceitação no mercado externo.
Por conta disso, tornou-se uma excelente opção para os agricultores.
“Hoje dividimos a floricultura em flor tropical, de clima quente, como as helicônias, bromélias; e a subtropical, planta de clima frio, como a rosa, orquídea e o crisântemo. Maracás hoje tem 209 famílias plantando flores.
Conquista, já passa de 30”, diz Ivson Andrade.
Mesmo em crescimento, o Estado ainda é pequeno na produção de flores, hoje em torno de 300 mil dúzias de flores tropicais e subtropicais por ano, movimentando, no mercado atacadista, mais de R$ 3 milhões/ano, além de plantas ornamentais e folhagens produzidas em aproximadamente 50 municípios baianos.
Portanto, o volume comercializado no Estado ultrapassa a casa dos R$ 15 milhões/ano no atacado, que equivale dizer que, deste montante, a participação desses produtos baianos no mercado gira em torno de 20%.
PAISAGISMO – As flores subtropicais são produzidas na Chapada Diamantina e no sudoeste, em Maracás, Vitória da Conquista, Mucugê, Bonito, Miguel Calmon, Morro do Chapéu. São rosas, gérberas, crisântemos, tangos, áster e gipsophila. Já as tropicais são cultivadas no sul do Estado (Ilhéus/Itabuna); Recôncavo (Amélia Rodrigues, Camaçari e Cruz das Almas); no Vale do Jiquiriçá e baixo sul, em Camamu, helicônias, alpínias, orquídeas, antúrios, bromélias, folhagens e plantas para paisagismo.
Segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor) no País, a profissionalização e o dinamismo comercial da floricultura são fenômenos bem recentes.