Secretário diz que meta é reduzir histórico deficitário das empresas

25/06/2009

Secretário diz que meta é reduzir histórico deficitário das empresas

 

O governo Wagner trabalha para diminuir o prejuízo das empresas públicas que historicamente têm sido deficitárias, garantiu o secretário de Planejamento Walter Pinheiro. Ele disse que o Estado mantém empresas que têm desempenho financeiro negativo porque, em muitos casos, não há outra solução, diante da função estratégica que elas exercem.

Ele cita o exemplo da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), que cumpre importante papel no acompanhamento da assistência técnica para agricultores rurais.

“Lamentavelmente o Estado tem que suportar. Hoje é uma situação clara, se não tiver a existência dessa empresa para funcionar como braço operacional da secretaria, não tem como fazer isso”, avalia Pinheiro. “O resultado financeiro não pode estar dissociado do social”.

A secretária da Casa Civil, Eva Chiavon, disse que o Estado não pensa, no momento, em extinguir nenhuma empresa. “Lá adiante, não sei, mas hoje estamos apostando no aprimoramento da gestão”, ressaltou. “A empresa pública tem facilidades que a administração direta, mais amarrada à burocracia, não tem”, enfatizou. A secretária informou que o governo tem cortado gastos com custeio e desenvolvido uma política de melhoria salarial dos quadros finalísticos para o aperfeiçoamento da gestão.

As empresas estão loteadas entre as forças políticas que compõem o governo. O PMDB comanda a CBPM e a Ebal; PP, a Bahiapesca e a EBDA; PSB, a Bahiatursa; PCdoB, a Bahiagás; PT, a Cerb. Na cota do governador, estão a Desenbahia, EGBA, Conder e Prodeb. O governo, em maio, mudou o comando da CAR (Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional) para contemplar o deputado federal Paulo Câmara (PTB), integrante do grupo que articula a volta do conselheiro do Tribunal de Contas do Município (TCE), Otto Alencar, à política para fortalecer a reeleição de Wagner em 2010. Câmara indicou o ex-carlista José Pirajá, que já dirigiu órgão no governo ACM.

GOVERNO PASSADO – O ex-governador Paulo Souto (DEM) questiona o prejuízo da Ebal em 2006, último ano de seu governo.

Ele observa que o resultado negativo de R$ 306 milhões foi fruto de um provisionamento de R$ 200 milhões em um único ano, para o pagamento de ações judiciais.

“Quem fez o balanço de 2006 foram eles (o governo atual). Claro que a Ebal não tinha esse dinheiro para fazer essa provisão.

Enquanto em 2006 inflaramesse prejuízo enorme, já em 2007 eles não fizeram provisão nenhuma e gastaram só R$ 11 milhões com o pagamento de questões judiciais”, disse.

Na opinião de Souto, deveria ter sido feita uma provisão escalonada, ano a ano. O democrata – que no seu governo estudou a possibilidade de privatizar a Embasa –, criticou o desempenho contábil da empresa, afirmando estranhar que ela, há muito tempo dando lucro, tenha apresentado prejuízo em 2008. “O remédio achado pelo governo atual foi amargo para o contribuinte: aumento de tarifa”.