O abacaxi imperial
contra-ataca
De abacaxi da Bahia até a década de 70, o município de Coração de Maria está tendo a oportunidade de voltar a brilhar nesta área, já que foi escolhido como sede de um projeto experimental da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, de Cruz das Almas, para o cultivo do abacaxi imperial.
Em 2007, nove mil mudas foram plantadas na Fazenda Santo Antônio, no distrito de Camboatá, com uma produção em torno de 8.500 frutos.
Segundo o pesquisador e coordenador do projeto, José Renato Santos Cabral, a escolha do município foi em função da elevada incidência de fusariose nas plantações, cuja produção despencou e tirou da cidade o título de maior produtor do Estado.
“A fusariose do abacaxi é uma doença altamente destrutiva, principalmente para o fruto, que apodrece interiormente, levando prejuízos aos produtores e até aos consumidores, que muitas vezes compram o fruto como se estivesse bom e, ao cortá-lo, a surpresa”, revela o pesquisador.
Cabral disse que o município de Coração de Maria chegou a ter uma área com cerca de três mil hectares e uma produção de 42,5 milhões de frutos, com empregos diretos para, aproximadamente, três mil famílias. Atualmente, a área plantada não ultrapassa cerca de 300 hectares.
“A elevada incidência da fusariose, doença causada pelo fungo Fusarium subglutinans, que pode gerar perdas superiores a 80% da produção, foi um dos motivos que provocaram a decadência da cultura do abacaxi e o empobrecimento significativo do município”, disse.
DESTAQUES – De acordo com o pesquisador da Embrapa, a Bahia é o quarto produtor nacional de abacaxi, com uma área plantada de quatro mil hectares, de onde foram colhidos mais de 90 milhões de frutos. Como regiões produtoras do Estado, destacamse Itaberaba, Coração de Maria e extremo sul da Bahia: Eunápolis, Porto Seguro e Barrolândia.
A produtividade da cultura na Bahia é considerada baixa – em torno de 24.000 frutos/ha.
Dentre os fatores que contribuem para o baixo rendimento da cultura no Estado, a fusariose é o mais importante, causando perdas de 30% a 60% da produção de frutos. A variedade pérola, mais plantada na Bahia, é suscetível à fusariose e não é bem aceita para exportação, porque apresenta fruto com polpa branca, formato cônico e impróprio para industr ialização.
José Renato Cabral explica que o controle da fusariose requer a integração de práticas culturais e a aplicação de defensivos químicos, o que aumentava o valor final do fruto, uma vez que se gastava o dobro com a aquisição de fungicidas e aplicação.
REDUÇÃO – Com o plantio do abacaxi imperial, existe a dispensa da utilização de fungicidas para o controle da fusariose, possibilitando, assim, a redução em torno de R$ 600 nos custos de produção por hectare, além de contribuir para a redução da poluição ambiental e aumento na segurança alimentar.
“A utilização de cultivares resistentes à fusariose, como o imperial, pode contribuir para o aumento da produtividade, pois serão eliminadas de quatro a seis pulverizações com fungicidas para o controle preventivo da doença”, explica Renato Cabral.
EXPORTAÇÃO – Além de ser resistente à fusariose, o imperial tem porte médio e apresenta folha de cor verde-escura, sem espinhos nas bordas, o que facilita a colheita. Fruto pequeno, cilíndrico, casca de cor amarela na maturação e polpa na mesma coloração, com elevado teor de açúcar, acidez moderada, alto conteúdo em ácido ascórbico e excelente sabor nas análises sensoriais realizadas.
O imperial também apresentou reação de resistência ao escurecimento interno, quando colhido e armazenado por duas semanas, em temperaturas de 10° C a 14° C, e avaliados após uma semana em condições de temperatura ambiente. Esta característica contribui para que o abacaxi seja o mais adequado para a exportação e tenha boa aceitação no mercado externo.
Mas a variedade apresenta crescimento lento, fruto de tamanho pequeno a médio, produção de três a cinco mudas tipo filhote presas à base do fruto, o que dificulta a colheita mediante método de quebra do fruto.
MUDANÇA – Filho de produtores da região, o advogado Cosme Fred Rios Santana viu os negócios da família perderem a força pelo fato de as sementes serem atingidas pela fusariose. E, em uma área em que se plantava 50 tarefas, ele só conseguia colher cerca de dez, o que representava umas perda de 80% do plantio.
Os prejuízos fizeram com que a família desistisse do plantio por dez anos. Em 2003, ao conhecerem o projeto da Embrapa, plantaram 700 mudas. “Estamos no já terceiro plantio”, comemora.