União para fortalecer produção
Com 25 mil hectares de área plantada e produção anual de 500 mil toneladas de laranja, Rio Real (a 203 km de Salvador) é apontada como a segunda em extensão de área com este tipo de cultivo no País. A cidade perde apenas para Itápolis, SP. Esse ano, com a estiagem, os produtores terão uma queda na plantação.
Segundo estimativa do secretário de Agricultura do município, Antônio Luiz da Silva, conhecido como Mineiro, o município espera uma produção de 300 mil toneladas. “Se tratando da renda dos produtores, essa queda será ainda maior, cerca de 50%”, salientou. Mineiro informou que o município está orientando o produtor local a fazer a subsolagem no plantio.
“Com essa técnica, a planta resiste um pouco mais à estiagem porque a água da chuva fica armazenada no subsolo”, explica.
O município é responsável pelo abastecimento de vários estados, como Rio de Janeiro e São Paulo, mas, a maior quantidade do produto vai para Pernambuco, Alagoas, Ceará e Rio Grande do Norte. Segundo dados da Secretaria de Agricultura do Estado, a Bahia é o segundo produtor nacional de laranja, com produção de 930.035 mil toneladas, em 2007.
Para Josete da Cruz Silva, RIO REAL | ABASTECIMENTO DOS ESTADOS DO RIO E SÃO PAULO Cealnor, a indústria de sucos Trop Fruit Sucos do Nordeste S.A e a empresa importadora do Comércio Justo (Agrofair).
Esta negociação foi implementada através da inclusão da Cealnor em um tipo de mercado diferenciado para a comercialização dos produtos de seus associados, “O Comércio Justo”, onde há um preço mínimo estabelecido por entidades participantes do mesmo. Esta venda gerou um valor agregado da fruta em cerca de 70% acima do preço do mercado convencional para produtores familiares do município de Rio Real.
A Coopealnor é um dos sete grupos de produtores de laranja, e o único de maracujá, que mundialmente participam no Comércio Justo. A cooperativa vende para Agrofair (Holanda), Oxfam ((Bélgica) e para a Gepa, importador alternativo que distribui para as Lojas do Mundo, na Alemanha. “É um trabalho importante porque permite um ganho superior para os agricultores e estabelece qualidade da produção”. Josete salientou que hoje a Coopealnor conta com 48 cooperados, mas que esse número tende a crescer. “Fizemos uma triagem e ficaram apenas aqueles que desejam fazer um trabalho sério junto à entidade”, pontuou.
Segundo o produtor Roberto Shibata, os cultivadores da laranja precisam se unir mais em torno de ações que possibilitem o aumento da produtividade local. “Os dois últimos anos foram atípicos na região devido a estiagem, que prejudicou muito a agricultura.
Além disso, os pequenos produtores sofrem com a falta de crédito e o alto preço do adubo”, enfatizou.
Para Mineiro, um agravante são os calendários dos agentes financeiros que não interagem com a realidade do município.
“Os créditos são liberados apenas em maio, o que prejudica os produtores que perdem as chuvas de todo o mês de abril”, destacou. No entanto, Mineiro ressaltou que a economia de Rio Real e regiões produtoras do citros tem muito a comemorar.
O município recebeu do secretário de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado, Roberto de Oliveira Muniz para a ‘Declaração do Estado da Bahia como Livre das Pragas do Citros’. O documento é a afirmação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, (Mapa), de que o Estado é área livre da Pinta Preta, Cancro Cítrico, Mosca Negra dos Citros, Morte Súbita e Greening, doenças que acometem os citros.