Uma mobilização gigante para colher o algodão do oeste

06/07/2009

Uma mobilização gigante para colher o algodão do oeste

 

Fazendas estão mobilizadas na colheita, que deverá se estender até meados de setembro

 

Embora o mercado incerto para o futuro do algodão deva reduzir a área a ser plantada no cerrado baiano para a próxima safra, no momento, as fazendas produtoras da fibra estão mobilizadas na colheita, que deverá se estender até meados de setembro. A expectativa é que, nesta safra, a região produza mais de um milhão de toneladas em capulho (antes do beneficiamento primário). Nas frentes de colheita, a sensação que se tem é de uma operação de guerra pelo volume de máquinas e pessoal.

O algodão é uma das culturas da região que mais ocupam mão-de-obra, pois sua colheita é feita em sincronia, envolvendo um complexo maquinário, cada qual com, no mínimo, dois operários. Após colhido, o algodão em capulho é passado ao bass boy, espécie de gaiola de ferro, capaz de abrigar cerca de duas toneladas da fibra com caroço.

Puxado por um trator, o bass boy leva o algodão até as prensas hidráulicas, para diminuir o volume de transporte, através de caminhões, até as beneficiadoras. Lá, o movimento é grande para a retirada das impurezas e a confecção dos fardos do algodão em pluma, que serão remetidos às indústrias da cultura.

FARDÕES – Uma frente de colheita de algodão média é formada de cinco colheitadeiras, sete bass boys, oito prensas hidráulicas (com capacidade de fazer fardões entre dez e 11 toneladas), dois carros de “bombeiros” (que pode ser o mesmo equipamento usado para pulverização), munido de água, e um equipamento especial para apagar os constantes incêndios ocorridos no processo, devido o alto poder combustível das fibras. Um coordenadorgeral e responsáveis por cada departamento, munidos de veículos como caminhonetes e motos, complementam o conjunto necessário.

Ainda não há números oficiais sobre os resultados da safra a partir das primeiras áreas colhidas, mas a previsão é de redução de produtividade, afetada pelo clima e uso de menor pacote tecnológico em função da crise econômica mundial. A queda estimada é de 270 arrobas de algodão em capulho por hectare na safra passada, para uma média regional de 235 arrobas/ha.

A crise internacional está retraindo os preços, que despencaram de R$ 44,93 a arroba de pluma, cotados em janeiro deste ano, para uma média de R$ 40,16 no mês de julho, de acordo com projeção da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). A tendência, conforme a mesma projeção, é cair ainda mais, chegando a R$ 35,31 até o mês de dezembro.

REDUÇÃO DE ÁREA – De acordo com o presidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Walter Horita, um dos grandes produtores de algodão da região, um conjunto de fatores, motivados principalmente pela falta de cumprimento do preço mínimo da arroba, estipulado em R$ 45, está refletindo negativamente na projeção de área para a safra 2009/2010.

A perspectiva inicial é de uma redução de 20% da atual safra para a próxima, segundo o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) João Carlos Jacobsen Rodrigues. “Se o governo federal não confirmar o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), que serve de incentivo à cultura da fibra, a área deverá ser reduzida em cerca de 35%”, estima.

Vale lembrar que, da safra passada para a que está em fase de colheita, a redução de área foi de 5,3%. Justamente por ser a cultura que mais emprega na região do cerrado baiano, onde se estima que mais de 50% dos empregos estão ligados à cotonicultura.

“A gente acompanha as notícias e sente apreensão”, revela o técnico agrícola José Álvaro dos Santos, que mora com a família na fazenda em que trabalha há seis anos. Natural de Barreiras e há 15 anos na mesma empresa instalada no município de São Desidério, Claudimar Camilo de Lima reconhece que seria difícil para ele ter de deixar o campo e se readaptar na cidade. “O agronegócio foi uma oportunidade que se abriu para mim e muitas outras pessoas da região”.