Leis têm de seguir mapa que revela áreas críticas, diz biólogo
Depois de mais de dez anos gerando conhecimento sobre a biodiversidade do Estado de São Paulo, o programa Biota, que recebeu mais de R$ 85 milhões da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), entra agora em uma segunda e decisiva fase. Segundo a coordenação do projeto, o desafio agora é conseguir que as várias secretarias de governo de São Paulo tenham pleno acesso aos mapas e informações geradas pelos mais de 1.200 profissionais e façam uso delas para a criação de leis e normas ambientais coerentes.
O grande mapa biológico do Estado de São Paulo, por exemplo, mostra que em várias áreas prioritárias para a preservação da biodiversidade -tanto no bioma cerrado quanto em áreas de mata atlântica- existem plantações de cana-de-açúcar ocupando lugares onde a floresta deveria estar preservada. Algumas iniciativas políticas estão sendo tomadas com base no conhecimento gerado pelo Biota. Aparentemente, porém, ainda não há muitas leis que tenham levado em conta o conhecimento gerado pelos cientistas do projeto.
Cooperação internacional
Segundo Carlos Joly, botânico da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e atual coordenador do Biota, o projeto já têm peso suficiente para ganhar relevância política, mas ainda há partes da iniciativa que precisam ser finalizadas. O biólogo diz que procura agora um modo de acelerar trabalhos.
O alcance do Biota também deve aumentar com as cooperações internacionais. Entre as intenções dos pesquisadores está a de aumentar a colaboração com países da África, que têm ecossistemas parecidos com o cerrado paulista. "Existe uma ideia de ajudar na reconstrução das coleções biológicas de Angola, que estão totalmente destruídas", diz Joly. (EG)