Ferrugem é estimulo a transgênicos

25/04/2006

Ferrugem é estimulo a transgênicos

Cibelle Bouças

 

Se em Estados do Norte e do Nordeste a soja transgênica ainda não conquistou corações e bolsos dos produtores, no Mato Grosso a semente geneticamente modificada tem sido a mais encomendada pelos sojicultores, pelas promessas de redução de gastos com aplicação de defensivos e menor risco de incidência do fungo da ferrugem.

"O pensamento é simples. O produtor quer usar transgênicos para reduzir gastos com insumos e, de preferência, grão precoce para fugir do risco de ferrugem da soja", afirma Dario Hiromoto, diretor superintendente da Fundação MT. Conforme dados da Associação dos Produtores de Sementes do Mato Grosso (Aspromat), das 6,3 milhões de sacas de sementes de soja que devem ser produzidas no Estado para 2006/07, menos de 20% são transgênicas. Em 2004/05 a oferta de transgênicos correspondia a 9% do setor de sementes.

A demanda por essas sementes deve chegar a cerca de 4 milhões de sacas no Estado - metade do consumo total do Mato Grosso.

Hilário José Molina, supervisor regional da Coodetec em Mato Grosso, confirma que os produtores têm buscado mais informações sobre as sementes transgênicas. Para atender a esse público, a Coodetec lançou variedades transgênicas de soja precoce, com resistência à nematóide de cisto e galha. Já a Fundação MT disponibilizou sete variedades de sementes transgênicas, com tolerância ao herbicida glifosato ou resistência a doenças, como a ferrugem da soja e o nematóide de cisto.

Adilton Sachetti, que planta 40 mil hectares de soja no Estado, observa que o avanço da ferrugem reduziu a produtividade por hectare em até 10 sacas. "Em vez de colher 50 sacas por hectare, o produtor está colhendo 40 sacas", afirma.

As estimativas de redução de área no Estado vão de 15% a 30%. Em 2005/06, o Mato Grosso plantou 6 milhões de hectares. (CB)

A repórter viajou a convite da Fundação MT