Estoque reduz preço do arroz

25/04/2006

Estoque reduz preço do arroz

Produtores pedem recursos ao governo para retirar parte da safra do mercado

Sandra Hahn

A produção de um dos alimentos mais consumidos pelo brasileiro está em crise. Mesmo depois de uma brutal redução na área cultivada nesta safra, os produtores de arroz brasileiros recebem preços muito abaixo do custo de produção. Os agricultores pedem a liberação imediata de recursos do governo para retirar parte da safra do mercado.

A crise no setor se instalou no ano passado e não dá sinais de que vá diminuir. Na safra atual, os agricultores plantaram 3,140 milhões de hectares, 19,8% menos do que foi plantado na safra anterior. A produção deste ano é estimada pela Conab em 11,749 milhões de toneladas, volume 1,5 milhão de toneladas abaixo do colhido no ano passado, mas a oferta se mantém acima da demanda, por causa do estoque remanescente da safra passada, da ordem de 2,183 milhões de toneladas. Com outras 750 mil toneladas esperadas na importação, o mercado deverá dispor de 14,6 milhões de toneladas, para um consumo estimado em 14 milhões de toneladas, conforme informa a Conab.

Nesta semana, o produtor do Rio Grande do Sul recebeu em média R$ 16,41 pela saca de arroz, cotação abaixo dos R$ 22,68 na mesma época de 2005 e dos R$ 17,08 do mês passado, segundo a Emater-RS. Para se manter na atividade, o produtor precisaria receber no mínimo R$ 22,00 por saca, diz o diretor comercial do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga), Rubens Silveira.

Os rizicultores gaúchos, que respondem por 55% de toda a produção nacional, pedem ao governo a liberação de R$ 370 milhões para apoiar a comercialização e dar sustentação aos preços do cereal. Pelos cálculos do diretor do Irga, estes recursos seriam suficientes para tirar do mercado 1,7 milhão de toneladas do cereal.

"O grande gargalo de comercialização é agora, no final da safra", diz o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz), Valter Põtter, que espera para maio as operações de aquisições do governo federal (AGF), por meio das quais são comprados produtos que vão reforçar os estoques oficiais.

Na opinião de Põtter, os outros mecanismos de apoio à comercialização "ajudam a segurar a queda, mas não estão elevando o preço". Ele se refere aos empréstimos do governo federal (financiamento ao produtor para reter o grão) e os leilões de prêmio para escoamento da safra (subsídio do frete da região produtora até os centros consumidores).

O setor pede ainda a rolagem das parcelas de custeio de arroz, já que a análise individual de cada processo, prevista na Medida Provisória de socorro à agricultura, é considerada inviável pelos arrozeiros, por causa da grande quantidade de operações.

No período de colheita, concentrada entre fevereiro e maio, o produtor tem muitos gastos: precisa cobrir os gastos com mão-de-obra e combustível, comenta o analista de mercado de arroz na Conab, Paulo Morceli. Neste ano, a situação ficou ainda mais complicada por causa da descapitalização do produtor.

LEILÕES
Em Brasília, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou para a próxima semana (de 24 a 27 de abril) oito leilões para apoiar a comercialização da safra 2005/06. Segundo a Assessoria de Imprensa do Ministério da Agriocultura, NSerão comercializadas 380 mil toneladas de milho; 41,8 mil toneladas de trigo; 120 mil toneladas de arroz e 164,7 mil toneladas de mandioca, por meio dos Prêmios de Escoamento do Produto (PEP), Opção Privada (Prop).

COLABOROU FABÍOLA SALVADOR