Lula pede órgão público para classificação de risco
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma dura condenação do que chamou de ditadura das agências de classificação de risco e propôs que elas sejam transformadas em entidades públicas na reforma do sistema financeiro global.
A proposta de Lula, ontem, na reunião das maiores economias do mundo, foi a mais incisiva até agora, baseando-se no que chamou de interesses econômicos por trás do trabalho das agências que, com suas notas, elevam ou derrubam os custos de crédito e mesmo a credibilidade de países e empresas.
As agências têm sido alvo de enormes críticas pelo seu papel na crise financeira, pela maneira como classificaram dívidas complexas e produtos de hipotecas, que resultaram em falências de empresas com rating AAA e jogaram a economia mundial na recessão.
Na Europa, as agências de classificação de risco terão de se registrar e ser supervisionadas a partir do ano que vem, após o Parlamento Europeu aprovar propostas para regulamentar suas atividades.
Os europeus vão impor regras às agências, que terão de abrir modelos e metodologias pelos quais dão as notas de crédito, padrões de governança corporativa e presença de diretores cuja remuneração não é ligada ao desempenho delas. Na reunião do G-20 em setembro, nos EUA, a regulação do mercado financeiro deverá ser mais debatida.
No encontro com o G-8, Lula detalhou como o Brasil está enfrentando a crise, citando medidas como investimento público, fortalecimento dos bancos, expansão de políticas sociais, planos habitacionais e apoio à agricultura familiar.
Citou medidas anteriores, dizendo que isso permitiu ao país "ter mais musculatura para enfrentar a crise". Confirmou que o Brasil vai injetar US$ 10 bilhões no FMI, para empréstimos sem condicionalidades, e abrirá linhas de crédito a países sul-americanos.
Lula defendeu o aumento de financiamento para comércio e investimentos internacionais, a aceleração da reforma dos organismos internacionais e fim dos paraísos fiscais. E cobrou reformas no FMI e no Banco Mundial no prazo. Há o risco, avalia o governo, de que se medidas não forem tomadas em 2010 e 2011 as reformas poderão ser adiadas só para 2013.
"É preciso lidar com a posição acionária e eliminar a ideia de que essas organizações são um condomínio europeu e dos EUA", disse o assessor internacional de Lula, Marco Aurélio Garcia.(AM)