Horticultura orgânica agrega valor à produção e amplia o consumo
Agricultura familiar e a horticultura orgânica foram os principais focos da 27ª ExpoBarreiras, realizada há uma semana no parque Engenheiro Geraldo Rocha.
A aplicação da agroecologia na horticultura agrega valor à produção que varia de 20% a 400%, de acordo com o engenheiro agrônomo da Embrapa/Hortaliças, Vinicius Freitas. Ele explica que a variação se deve ao grau de disposição do consumidor em pagar a mais pelo produto, bem como na confiança que ele tem de que o produto é orgânico.
“Desde que começou a preocupação ambientalista, na década de 30, quando se expandiu esta produção que hoje chamamos de convencional, existe esta preocupação em consumir produtos com garantia de estarem livres dos agrotóxicos”, diz ele, acrescentando que o cuidado é com a saúde do consumidor “e com a saúde ambiental”.
No decorrer do evento, pesquisadores de várias instituições ministraram cursos apresentando diversos aspectos da horticultura orgânica e outros temas de relevância, o que permitiu aos pequenos produtores a oportunidade de aprimorar seus conhecimentos de forma gratuita.
HORTICULTURA – Os cerca de 500 participantes aprenderam noções sobre biofertilizantes para a produção de compostos sólidos e líquidos. “A base destes princípios não é o dinheiro, mas o conhecimento, porque a ideia é valorizar ao máximo a experiência que o produtor já possui”, define o pesquisador, destacando que na horticultura orgânica “o produtor deve olhar de forma integrada, pensando na sustentabilidade ecológica e usando todos os recursos a seu favor”.
A utilização da agricultura orgânica, de acordo com o pesquisador da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), Edvaldo dos Santos Reinaldo Filho, não é novidade, “pois há 3 mil anos antes de Cristo já se trabalhava com ela”.
Ele defende a ampliação da área de orgânicos “porque a predominância é do cultivo convencional, com uso de muitos agrotóxicos e é necessário oferecer alimentos isentos de venenos”.
No entanto, Edvaldo reconhece que boa parte dos produtores da agricultura familiar já faz a produção orgânica, “mesmo de forma empírica, sem saber da importância desta prática para o mercado dos seus produtos”.
BRASÍLIA – Para o produtor rural João Teixeira, 51 anos, a oportunidade de participar do curso foi bem aproveitada. “Trouxe a mulher e dois filhos para a gente aprender coisas novas e valorizar mais a nossa produção”.
Apesar de Barreiras estar no centro de uma região com cinco perímetros irrigados, muitos dos quais com áreas abandonadas, uma pesquisa realizada pela EBDA e pelo Sebrae apontou que cerca de 80% das hortaliças consumidas na cidade de 130 mil habitantes, convencionais ou orgânicas, vêm da Ceasa de Brasília e da região da Chapada Diamantina.
QUALIDADE – Conforme o engenheiro agrônomo da EBDA Paulo Baqueiro, com base nesses números, o órgão está desenvolvendo um programa de produção “ancorado em qualidade e periodicidade, pois, por exemplo, uma das dificuldades identificadas é a descontinuidade do fornecimento das hortaliças nos períodos chuvosos”.
Baqueiro enfatiza que até o final de julho o projeto para alavancar e regularizar o setor de hortigranjeiros em Barreiras deve estar concluído, para que, em parceria com a prefeitura e o Sebrae, seja colocado em prática, fomentando também a geração de emprego e renda.
LEITE – Três bezerros, sendo duas fêmeas, nascidos em maio deste ano foram atração na ala da Agricultura Familiar durante a 27ª ExpoBarreiras. Os três animaizinhos são os primeiros filhotes de um programa que visa melhorar a genética do plantel leiteiro na região oeste do Estado, iniciado com pequenos criadores de Wanderley. O município, com um rebanho estimado em 100 mil cabeças, é considerado um dos maiores produtores de gado de corte do Além São Francisco.
Segundo o chefe do escritório da EBDA em Wanderley, o médico veterinário José Cabral de Lira, com base em diagnóstico realizado pelo órgão, “chegamos à conclusão de que o principal entrave para a produção de leite no município era o fato de os produtores estarem fazendo leite com gado não específico e que faltava um atalho para melhorar isso”.