União de pequenos produtores transforma a indústria leiteira
A união de pequenos produtores do distrito de Quicé, região de Senhor do Bonfim (375 km de Salvador), criadores de gado leiteiro, fez nascer há quatro anos a Associação dos Produtores de Leite de Quicé (Aplec), inicialmente com 28 associados. Com o passar do tempo e da força que adquiriu a associação, outros 114 produtores se juntaram ao trabalho e hoje são os maiores produtores de leite da região com clientes de grande porte como a Indústria de Laticínios Palmeira dos Índios de Alagoas que leva o nome fantasia Valedoura do.
Dois anos depois de criada a Apleq, os produtores decidiram que mais um passo deveria ser dado e, com ajuda da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e do governo do Estado, com apoio da prefeitura de Senhor do Bonfim, criaram a Usina de Resfriamento, que possui três tanques de armazenamento de leite, cada um com capacidade de 4,5 mil litros.
A produção de leite, que era de 3 mil litros ao dia no início da associação, hoje atinge a marca de 15 mil litros ao dia e firma os produtores como exemplo na região e que começa a ser seguido por outros povoados e distritos de Senhor do Bonfim. Numa área de terreno doado por produtores da comunidade de Quicé, foi construída uma usina, que recebe leite de várias propriedades.
RESFRIAMENTO – Os vasilhames chegam pela manhã e à tarde carregados por empregados das fazendas, que vêm de bicicleta, de moto, de carroça e de carro.
Cada associado traz o que produz e, na entrega, antes de ser levado aos tanques de resfriamento, o leite passa por uma vistoria com testes para medir a acidez do produto e verificar o teor de água, que determina a aceitação ou não do produto.
“Temos hoje um faturamento Com um faturamento mensal de R$ 160 mil, a Aplec associação de produtores de gado leiteiro conta com clientes de grande porte e trouxe geração de emprego e renda para a comunidade mensal de R$ 160 mil e fazemos os pagamentos a todos os associados semanalmente. Participamos de capacitações, nos profissionalizamos e nossa organização trouxe geração de emprego e renda para a comunidade”, afirma o produtor Márcio Antônio Silva de Araújo, que é presidente da Cooperativa Mista dos Pequenos Produtores de Leite de Quicé (Coopleq). Segundo ele, a atividade com produção de leite de vaca trouxe mais desenvolvimento ao distrito e a seriedade associada à união firme dos produtores é a principal garantia do sucesso.
A produção de leite de Quicé mexe com outras economias como a do mercado de rações, por exemplo. São compradas mensalmente 20 toneladas de ração, que tem aumento quase dobrado no período de seca na região, entre os meses de agosto e dezembro.
CONVÊNIO – E esse volume de ração comprada dá aos produtores algumas vantagens como o trabalho gratuito de um veterinário, que passa uma semana a cada mês em Quicé, visitando os produtores e dando assistência técnica.
Um convênio foi firmado entre a associação e uma clínica veterinária de Campo Formoso para auxiliar ainda os pequenos produtores que não possuem condições financeiras de fazer inseminação artificial nos animais.
Será feita inseminação coletiva, juntando grupos de 10 produtores por visita do veterinário, num sistema de inseminação fixa. O número de pequenos produtores ainda é bem maior que os de médio porte.
Dos 142 produtores de leite de Quicé, apenas seis possuem ordenha mecânica, a exemplo da Fazenda Passagem, de propriedade de Valdeci Alves da Silva. Ele possui sistema mecanizado, produz 1,5 mil litros de leite dia, sendo o maior produtor, e é um dos três donos de fazenda que possuem tanque de resfriamento.