China já é o maior parceiro comercial da Bahia, ultrapassa os Estados Unidos
O comércio exterior baiano registrou US$ 4,7 bilhões no primeiro semestre deste ano. As informações foram divulgadas pelo Promo, que apontou também que a China é hoje o maior parceiro comercial do estado, representando 17% nas exportações no primeiro semestre. Em segundo lugar aparecem os EUA com 14%, o detalhe que chama a atenção é que no mesmo período do ano passado quem era considerado o maior parceiro da Bahia eram os EUA. Segundo o presidente do Promo, Ricardo Saback, essa alteração radical é reflexo dos efeitos da crise econômica. "O crescimento da China tem repercutido na balança comercial da Bahia", cita. Para ele o setor agrícola tem impulsionado o crescimento: "As commodities têm uma boa representação no mercado. A soja cresceu 52% e o algodão 149% neste primeiro semestre. Outro mercado que vem crescendo e muito ao longo do primeiro semestre são os Emirados Árabes registrando incremento na ordem de 300%. Mais uma vez os mercados emergentes garantiram o bom desempenho das exportações baianas", afirma.
Saback diz que a China teve crescimento só neste primeiro semestre da ordem de 65%, a Ásia registrou 40,5%. "Vale registrar que as exportações para a China foram de US$ 479,7milhões de janeiro a junho, com destaque para celulose que registrou US$ 229,1 milhões, catodos de cobre com US$ 114 milhões, soja com US$ 46,4 milhões, polietileno com US$ 21,8 milhões e algodão com US$ 11,4 milhões. "Nesses seis meses, a Ásia foi o polo mais receptivo para as exportações baianas, com a China na posição de principal mercado para as vendas além do crescimento dos negócios com a Coréia do Sul em 281,8%, Indonésia com 140,8% e Emirados Árabes com 305,6%.
Saback revelou que as exportações encerraram o semestre com saldo de US$ 2,8 bilhões e as importações de US$ 1,9 bilhão. A liderança no primeiro semestre ficou com o setor agrícola, incluindo algodão, soja, sisal, cacau, café e frutas, que responde com 24,4% da pauta de janeiro a junho, com vendas de US$ 688,2 milhões, beneficiado pela recuperação de preços e do aumento das compras chinesas. O segundo setor que teve incremento em vendas foi o de papel e celulose com um saldo de US$ 613,1 milhões, sendo o setor com 22% de participação na pauta.
Ele disse ainda que a balança comercial da Bahia no primeiro semestre registrou um superávit de US$ 951 milhões, 2,5% menor do que no mesmo período do ano passado. "Num comparativo com o último mês de maio, o melhor resultado foi bom com incremento da ordem de 25%, atingindo a cifra dos US$ 569,7 milhões", explica Ricardo Saback. Ele fez considerações quanto às vendas externas que foram lideradas pelo complexo da soja (grão, óleo e farelo), com registro de US$ 140 milhões e crescimento de 17%. "No ano a soja e seus derivados registram crescimento de 52,5%, fruto de uma boa safra e de valorização frente a preços praticados no final de 2008", explica.
Já as exportações de produtos manufaturados no semestre vêm perdendo terreno, segundo explica o presidente do Promo. Ele culpa a crise financeira pelo recuo na participação no total da pauta com retração de 54,5% em 2008 para 42,8% este ano. "Estes produtos sofrem o impacto não só da crise financeira, mas também da valorização do real frente ao dólar, que o torna mais caro no exterior", esclarece Saback.
Em relação às importações, houve redução de 43,6% no semestre, totalizando US$ 1,9 bilhão. Para Ricardo Saback o segundo semestre deve apresentar aquecimento para as importações. "Isto deve ocorrer pela recuperação da economia doméstica e do câmbio favorável, principalmente para os bens de consumo, adubos e fertilizantes que, apresentaram tímida importação no primeiro semestre e devem se recuperar no segundo semestre, incentivadas pelo bom desempenho dos produtos agrícolas".