Federação da Agricultura quer mais infraestrutura

14/07/2009

Federação da Agricultura quer mais infraestrutura

 

Falta de infraestrutura adequada e de uma logística mais funcional. Estas são algumas das reclamações do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia, FAEB, João Martins, que segundo ele tem sido cruciais no desenvolvimento do setor agropecuário no Estado. "É preciso mexer na infraestrutura e na logística para que o setor possa alavancar. A Federação está reivindicando melhorias urgentes como à construção da Ferrovia Oeste Leste para escoar com menor custo à produção da Bahia. Reivindicamos ainda o Porto Sul. Vemos as frutas produzidas na região do São Francisco serem escoadas pelo porto Suape, em Pernambuco", diz.

O presidente da FAEB censura a falta de uma política agrícola e alerta para o peso da atividade junto ao PIB baiano. "Estamos sem apoio. A atividade representa mais de R$ 8 bilhões no PIB baiano que hoje está estimado em mais de R$ 120 bilhões. As perdas do setor sentidas nos últimos meses com as chuvas representam quase 5% do PIB agrícola. É importante ter uma política agrícola focada nas necessidades do agricultor", comenta e acrescenta: "O setor agropecuário precisa de políticas publicas. É um setor órfão. O produtor rural tem que arcar com todas as custas", cita e acrescenta: "O governo do Estado está focando atenções na agricultura familiar. A agricultura empresarial só contou com algumas interferências, mas uma política para a agropecuária baiana de fato não houve. A agricultura empresarial tem um grande peso na economia do Estado. Basta observar a região do Oeste para ver a importância do segmento, Juazeiro, Extremo Sul".

Martins menciona a falta de atenção do governo federal. "Para se ter uma idéia do que estou falando, o governo federal comprou as dívidas do Banco do Brasil e transformou em dívida ativa. Isso é um problema porque sai da taxa cobrada pelo crédito rural que é de 6,75% e passa a ser cobrada com taxas de juros da Selic que é 9,25%, bem mais cara que o crédito rural".

O presidente da FAEB disse que a Bahia teve retração em 8% na safra de grãos deste ano, com a perspectiva de colher 5,6 milhões de toneladas. João Martins culpa dois fatores pela situação: a crise econômica e as fortes chuvas. "As fortes chuvas ocasionaram perda de produção, mas a situação começou a ficar delicada muito antes. Na época do plantio, quando se deu a crise econômica, as grandes empresas que adiantavam dinheiro aos agricultores e também vendiam insumos para receberem na hora da colheita deixaram de efetuar os empréstimos ao produtor rural. Muitas delas faziam ainda compra antecipada Ocorreu então à retração de recursos das grandes empresas que atuam no setor. Elas não tiveram condições de repassar aos produtores os recursos necessários. Já os produtores compraram menos adubo e diminuíram recursos necessários à manutenção da própria propriedade e de todo o processo produtivo. Depois com o excesso de chuvas agora em 2009 na época da colheita houve queda de safra na soja. O algodão também foi prejudicado pelo excesso de chuvas, representando queda na colheita", alerta.

João Martins também reclama do endividamento do agricultor. "Diversos fatores estão travando o desenvolvimento da agricultura na Bahia e no Brasil. Tem o problema do endividamento dos produtores que impedem que eles tomem novos recursos e a questão as logística. A Bahia hoje produziu 5,6 milhões toneladas de grãos e não dispõe de estradas boas, ferrovias, hidrovias e portos que possam realizar o escoamento da produção. Nossos portos têm pouca profundidade para receber grandes navios. Eles estão desatualizados", critica. Ele ainda chama atenção para a questão ambiental. "A falta de uma definição está travando o país todo. A legislação ambiental dificulta. É preciso definir tudo e trazer estabilidade a quem produz. Precisamos gerar emprego e renda e exportar produtos com maior valor agregado", reclama.