Protestos afetam exportações de soja
A crise de rentabilidade no segmento da soja - carro-chefe do agronegócio nacional - deve se estender pelo menos até a safra 2006/07. Analistas prevêem uma queda de pelo menos 10% na área plantada no país no próximo ciclo, por conta do cenário de elevado endividamento e da tendência de queda de preços no mercado internacional. Indústrias instaladas no país reclamam que já enfrentam dificuldades para exportar grãos devido às diversas manifestações realizadas por agricultores para reter a soja nos Estados de origem da produção.
"Não estamos conseguindo escoar os grãos para o porto porque os produtores do Centro-Oeste estão barrando os caminhões nas estradas", confirmou Stephen Geld, diretor de processamento de soja da
A
Levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) ainda aponta alta das exportações brasileiras de soja em grão de fevereiro de 2006 a janeiro de 2007 - 25,2 milhões de toneladas, ante 22,389 milhões de fevereiro do ano passado a janeiro último. Para farelo e óleo, as previsões são de queda. A Abiove prevê produção de 56,4 milhões de toneladas de soja na safra atual. No total, o IBGE prevê a colheita de 121,723 milhões de toneladas de grãos neste ano, ante 112,774 milhões em 2005.
André Pessoa, analista da
Pessoa observou que, além dos problemas internos, no exterior o excesso de oferta e a tendência de queda nos preços desestimulam a aposta na soja. Ele lembra que hoje a relação estoque-consumo está em 28%, o maior nível da história - o recorde era 26%, em 1969. Geld observa que a expansão da demanda global por soja requererá, nos próximos dois anos, um aumento na área plantada de 10 milhões de hectares. "Hoje o único país com essa disponibilidade é o Brasil, mas a conjuntura interna não permite", disse.(CB)