Bahia imuniza rebanho e quer acabar zonas-tampão contra a febre aftosa

03/08/2009

Bahia imuniza rebanho e quer acabar zonas-tampão contra a febre aftosa

 


O nosso desafio é acabar com as zonas-tampão que ainda existem no estado. Não é justo termos uma Bahia que pode vender carne e outra Bahia que não pode. Isso não é bom para o pecuarista nem para a ovinocaprinocultura".

A afirmação foi feita, ontem, pelo secretário da Agricultura, Roberto Muniz, ao se referir ao programa de erradicação da febre aftosa, durante a abertura do 4º Congresso Internacional de Boi de Capim, no Bahia Othon Palace, onde representou o governador Jaques Wagner.

O evento prossegue até amanhã, reunindo pesquisadores, especialistas, acadêmicos, pecuaristas, empresários e investidores do setor.

Muniz entende que as zonas-tampão devem ficar nos territórios dos estados fronteiriços – Pernambuco e Piauí – que ainda não conseguiram erradicar a doença.

O secretário enfatizou a importância do congresso para a estruturação da cadeia produtiva da carne, afirmando que o boi de capim é especial porque "já nasce diferenciado e atende aos anseios do mercado internacional".

No entanto, lembrou os desafios que precisam ser enfrentados como discutir o meio ambiente, a portaria 304 do Ministério da Agricultura e a importância da vacinação e controle sanitário.

Sintonia - Segundo Muniz, "a agropecuária e o meio ambiente devem estar em sintonia e é preciso pensar em um processo produtivo em que todos se sintam comprometidos com o resultado final, valorizando o rebanho e oferecendo ao consumidor carne saudável e de qualidade. Não se vende mais apenas carne. Devemos vender sanidade e qualidade".

O secretário disse ainda que a Bahia "faz o seu dever de casa, com números expressivos na primeira etapa da campanha de vacinação deste ano, alcançando a marca de 96,5% de cobertura vacinal e mantendo o status de estado livre da aftosa com vacinação".

Porém, o resultado mais animador foi na região da zona tampão da região norte, no Território Sertão do São Francisco, que faz fronteira com os estados do Piauí e Pernambuco. Ali, registrou-se o maior percentual de cobertura, inclusive de vacinação assistida, dos últimos quatro anos.

O diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Cássio Peixoto, também presente ao evento, disse que, além dos números da vacinação foram alcançados outros resultados expressivos na região norte como o cadastro de rebanho e de propriedades, que foi quadruplicado, e o cadastramento de transportadores de animais, que até então não existia.

Cássio informou ainda que "os números obtidos foram avaliados e considerados positivos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento".

Frigoríficos - O secretário destacou que não basta a implantação da Portaria 304 do Ministério da Agricultura se os produtores, principalmente os pequenos, não tiverem ponto de abate mais próximo do local da produção, com qualidade, segurança e sanidade. A Portaria 304 regula o abate de bovinos, caprinos e ovinos, visando a sanidade e o combate ao abate clandestino. Para isso, impõe normas à construção dos equipamentos e a existência de câmaras de refrigeração.

Para atender a essa demanda, o secretário informou que a Seagri está executando um projeto de regionalização e descentralização de frigoríficos e finalizando uma planta padrão, observando todos os critérios exigidos para garantir a qualidade e a sanidade da carne. "Vamos colocar esta planta mínima à disposição do governo, das prefeituras, dos produtores e dos empresários", disse Muniz.