Agrishow aposta na cana contra fracasso

17/05/2006

Agrishow aposta na cana contra fracasso

MARCELO TOLEDO


 

A cana-de-açúcar é a aposta da organização do Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação) para evitar um "fracasso na edição deste ano", que começou ontem em Ribeirão Preto (314 km ao norte de SP).
Aberta pelo ministro Roberto Rodrigues (Agricultura) em um clima de reclamações contra a política econômica do governo federal, a Agrishow tem expectativa de que o faturamento neste ano atinja, no máximo, R$ 700 milhões, cenário que, se for confirmado, representará queda de 7,89% em relação aos R$ 760 milhões de 2005, que já foi o pior ano em vendas da feira desde 1999. Em 2004, o de melhor desempenho das 13 edições do Agrishow, as vendas atingiram R$ 1,288 bilhão.
Apesar da previsão de R$ 700 milhões, o presidente do Sistema Agrishow, Sérgio Magalhães, admitiu a possibilidade de que as vendas fiquem abaixo disso.
A prioridade dada ao setor sucroalcooleiro -cinco talhões de cana foram plantados há cinco meses na área da feira- representa uma mudança em relação ao ano passado, quando a bioenergia foi o principal destaque.
"Minha intenção era que a feira vendesse R$ 1,5 bilhão, mas o momento está crítico. Sem a cana, o nosso problema seria muito maior", disse Magalhães.
O investimento é justificado pelos cerca de 50 projetos para novas usinas nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. "É a maior crise dos últimos 40 anos", disse o ministro da Agricultura ontem, durante o lançamento da feira.
A previsão é que o número de visitantes seja de 140 mil, 2.000 a mais que o público total do ano passado, por causa dos incentivos para a participação dos pequenos produtores rurais.
A preocupação se justifica pelo fato de a edição do ano passado ter apresentado o pior faturamento desde 1999 e o de menor público desde 2000. Os únicos setores que se saíram menos prejudicados foram os de cana e café.
Na avaliação da organização, o recuo no faturamento ocorreu devido ao momento complicado vivido por culturas como arroz, algodão, trigo, soja e milho.
"A Agrishow é muito importante porque provoca impacto em todo o setor agrícola do país. Ela não é só uma feira em que há negociações e novas tecnologias", disse Rubens Dias de Morais, vice-presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).
Além de equipamentos para o setor canavieiro, a Agrishow também apresentará máquinas e implementos para culturas como laranja, café e milho. Durante toda a semana, ocorrerá uma demonstração por minuto. A feira é realizada pela Abimaq, pela Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos) e pela SRB (Sociedade Rural Brasileira).