Bahia debate qualidade da carne

06/08/2009

Bahia debate qualidade da carne

 

 

A organização da cadeia produtiva da carne bovina na Bahia é prioridade antes de se pensar na entrada do Estado no comércio internacional. Esta foi a ação defendida por representantes do setor que participaram, até ontem, em Salvador, do 4° Congresso Internacional do Boi de Capim.

O primeiro passo para esta organização, segundo eles, é a instalação na Bahia de uma Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Carne Bovina.

Esta e outras propostas estão na Carta de Salvador, documento que será encaminhado ao governo do Estado e à Superintendência do Ministério da Agricultura na Bahia. Ontem, último dia do evento, representantes de produtores e da indústria debateram as principais dificuldades do setor com técnicos e representantes do governo.

“Os principais pontos a serem tratados devem ser a manutenção da Bahia como zona livre da aftosa e a busca pela qualidade da carne no Estado”, destacou o coordenador do congresso, AlmirMendes que também é diretor da Associação Baiana dos Criadores. De acordo com ele, existem muitas propostas entre elas a de estímulo à pesquisa e o fortalecimento do fundo de pecuária do Estado.

O presidente da Federação da Agricultura da Bahia, João Martins, defende que sem a consolidação de uma câmara setorial o setor não conseguirá crescer.

“Hoje, o Paraná possui um rebanho muito inferior ao nosso, mas adotou procedimentos que permitem ser um Estado exportador.

Aqui na Bahia, ainda temos muita dificuldade em conquistar a uniformidade do gado”, avalia o presidente da Faeb.

O secretário da Agricultura da Bahia, Roberto Muniz destacou que entre as prioridades do Estado estão a informatização do sistema de emissão de Guias de Trânsito Animal (GTA), processo que deve ser concluído até o final de setembro. Hoje, como o sistema de emissão das guias é manual, o documento não possui código de barras, o que impede o pagamento através de internet ou caixas eletrônicos.

Além disso, o Estado está empenhado em descentralizar as casas de abate para evitar o abate clandestino. A Bahia saltou de seis para 26 abatedouros certificadas nos últimos dois anos e, segundo o secretário, a meta do governo é abrir pequenos abatedouros certificados para dar suporte a pequenos e médios produtores, atender a regiões onde não há casas de abate certificadas e oferecer uniformidade na qualidade da carne.

A concretização destes planos, porém, é considerada inviável por especialistas. “Não existe viabilidade econômica para a manutenção de pequenos abatedouros dentro das normas de inspeção sanitária exigidas”, avalia o consultor e agropecuarista Nelson Pineda.