Teor de açúcar da água-de-coco será diminuído

08/08/2009

Teor de açúcar da água-de-coco será diminuído

 

 

A vida pode até continuar doce, mas a água-de-coco vendida em caixinhas não terá a mesma doçura de antes. Uma nova instrução normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), dentre outras determinações sanitárias e de higiene, reduz o teor máximo de açúcar que pode haver nas misturas que são disponibilizadas ao consumidor. Dos atuais três gramas por 100 mililitros da água, o teor máximo tolerado será de um grama. Desta forma, o consumidor não mais terá a sensação de estar bebendo água com açúcar, como se estivesse tendo uma crise nervosa, nem algo parecido com soro caseiro, como se estivesse desidratado. As indústrias de beneficiamento do coco terão 180 dias para se adequar às novas nor mas.

Segundo o chefe da Divisão de Bebidas do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov) do Ministério, Roberto Soares Rocha, as modificações contidas na Instrução Normativa 27 possibilitarão aos produtores uma melhor compreensão dos parâmetros analíticos, sanitários e de higiene, além de ter acesso às classificações da água-de-coco in natura.

As águas-de-coco são agora classificadas em resfriada, pasteurizada, congelada, esterilizada, concentrada, desidratada e reconstituída.

Para cada tipo de água, há uma padronização distinta, bem como novos parâmetros para a análise laboratorial.

AÇÚCARES – A nova instrução do Mapa, que substitui a anterior datada de maio de 2002, aponta que as adições de açúcares só poderão ocorrer quando da correção e padronização do Brix (teor de açúcar padrão do produto).

Ressalta-se ainda que podem ser adicionadas vitaminas e que são obrigatórias as adições de conservantes e acidulantes, com o propósito de garantir a inocuidade e a segurança de consumo dos produtos. Somente a água-de-coco reconstituída pode ter água potável como ingrediente.

O fiscal federal da agropecuária Francisco Carlos Aleluia enfatiza a necessidade de atenção especial para o manuseio do produto.

“A água-de-coco é bastante perecível, por isso há grande fiscalização para verificar as condições de higiene e sanitárias das indústrias”, salientou.

A instrução normativa esclarece que o piso das unidades de produção devem ser resistentes, impermeáveis, não absorventes e laváveis, não podendo ter falhas ou rachaduras. Os frutos também precisam ser guardados em locais limpos, secos e ventilados, a fim de evitar a contaminação cruzada. “A indústria que produz a água-de-coco não pode estar próxima a outras cuja produção emita cheiros fortes que podem impregnar no produto”, alerta Aleluia.

Além de alertar para o cuidado com a higiene de todos os utensílios e tanques usados no armazenamento do produto, a normatização indica que, no envasamento da água-de-coco, todas as etapas devem ser realizadas sem atrasos e sob condições que impeçam a possibilidade de contaminações, deteriorações ou desenvolvimento de microorganismos patogênicos.

ROTUL AGEM – Como a água-de-coco é altamente perecível, o Mapa determina que orientações visíveis e legíveis sobre conservação, armazenamento e consumo do produto, sendo ressaltado o perigo à saúde caso não sejam observadas. Os rótulos devem trazer as informações nutricionais e, obrigatoriamente, devem ter a frase: “Após aberto, consumir em até uma hora”.

Também é vedada qualquer propaganda com alegação de propriedade medicamentosas ou terapêuticas. Aleluia destaca que as maiores irregularidades são encontradas nas fábricas de produção clandestina.