Produção agrícola se volta para cultivo de manejo orgânico
Há quatro anos, o cultivo de banana orgânica vem despertando o interesse de pequenos produtores do Recôncavo baiano. Em Conceição do Almeida e Dom Macedo Costa, o plantio, ainda tímido, já surge como uma alternativa econômica para a agricultura familiar.
Mesmo em pequenas áreas e ainda para consumo familiar, os produtores, sob a coordenação da Associação dos Produtores de Orgânicos da Bahia (Aporba) e orientação técnica da Embrapa Mandioca e Fruticultura, de Cruz das Almas, apostam no cultivo e buscam aumentar a área de plantio. O interesse deles está focado numa produção agrícola sustentável, que seja ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável.
Apesar da grande área cultivada com banana no Brasil, de 515.346 hectares, e, na Bahia, de 89.466 hectares, que é o maior Estado produtor, com 1.386.016 de toneladas, não existem dados disponíveis quanto à área cultivada sob manejo orgânico.
“Contudo, em todos os polos de produção de banana do Estado e também de Norte a Sul do País, existem áreas sob cultivo orgânico, porém com o manejo dos mais diversos”, frisa a pesquisadora de Embrapa, Ana Lúcia Borges.
SAUDÁVEL – Em razão dos impactos ecológicos, econômicos e sociais negativos da agricultura intensiva, conta Ana Lúcia Borges, passaram a surgir no País correntes defendendo práticas agrícolas ambientalmente equilibradas e saudáveis à humanidade.
Nesse contexto, está inserida a agricultura orgânica.
A pesquisadora explica que os produtos orgânicos são produzidos tendo a preocupação com o meio ambiente, buscando manejar de forma equilibrada o solo e demais recursos naturais e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos. “A intenção é que todo consumidor adquira um produto mais limpo, sem contaminação, quer por agentes químicos ou biológicos. Desta forma, a fruta torna-se mais saudável e saborosa”, ressalta Ana Lúcia.
O sistema orgânico de produção busca a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais e a minimização da dependência de energia não renovável. “O desenvolvimento sustentável foi conceituado como aquele que atende às necessidades do presente, sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias”, explicou Ana Lúcia.
No Estado, não há informações sobre área cultivada no sistema orgânico. As áreas irrigadas produtoras de banana estão nos polos irrigados de Guanambi, Formoso, Barreiras, Irecê e Juazeiro.
As regiões de sequeiro estão no Recôncavo Sul e Sudoeste do Estado.
PRODUÇÃO – Os municípios maiores produtores de banana do Estado são Wenceslau Guimarães (166.320 toneladas), Bom Jesus da Lapa (138 mil toneladas) e Barra do Choça (60 mil toneladas), segundo dados do IBGE de 2007. “Não há estatística para produção orgânica, porém sempre existem áreas sob manejo orgânico”, acrescenta a pesquisadora Ana Lúcia Borges.
De acordo com a pesquisadora, o que diferencia a banana tradicional da orgânica, no campo, basicamente é o manejo do solo, que é mais sustentável, com menor revolvimento, menor uso de máquinas e, assim, com menor degradação ambiental. “No suprimento dos nutrientes, não há uso de insumos químicos, privilegiando os orgânicos disponíveis próximos à área de cultivo e a utilização de adubos verdes e biomassa vegetal. Além do uso do controle biológico no manejo das pragas”, explicou.
Todo consumidor tem interesse em produtos mais saudáveis, com menos agrotóxicos.
Contudo, como o produto é, às vezes, mais caro, há restrição do consumo pela camada da população com menor poder aquisitivo.
“Entretanto, a bananeira é uma planta fácil de ser cultivada no sistema orgânico e, além disso, todo agricultor familiar tem alguns pés de banana para consumo próprio”, disse a pesquisadora Ana Lúcia, da Embrapa.
Diferenciado Normalmente o produto orgânico é mais caro, pois a disponibilidade no mercado é menor, não existe em grande escala. É considerado um produto diferenciado que agrega valor, e o agricultor terá maior retorno econômico
17 Alimentos analisados pela Anvisa mostram que a banana, juntamente com a manga, batata, cebola e maçã apresentaram os menores índices de contaminação, sempre abaixo de 4%
Monitoramento Muitas práticas utilizadas no sistema convencional de cultivo de banana não ferem a Instrução Normativa para o cultivo orgânico.
Contudo, mão-de-obra necessita ser mais intensa na área, promovendo uma vistoria mais frequente no bananal
40% maior é a produção da variedade pacovã em relação à banana-prata.
Além disso, é mais vigorosa e um pouco mais alta, segundo dados da Embrapa
Irrigados Em plantios irrigados, a fertirrigação com biofertilizantes (mistura de fontes orgânicas e minerais naturais) tem mostrado resultados satisfatórios. “O uso de carbureto de cálcio não é permitido na agricultura orgânica”, lembra Ana Lúcia Borges, da Embrapa
Mercado No cultivo orgânico de banana, deve-se, preferencialmente, utilizar variedades resistentes a pragas e doenças. “A escolha da variedade vai depender da aceitação pelo mercado consumidor”, aconselha Ana Lúcia Borges, da Embrapa
100 a 400 kg de nitrôgênio (N/ha) referem-se à quantidade utilizada no plantio normal, a depender da produtividade esperada pelo agricultor
Resistentes As variedades: “caipira”, resistente à sigatoka amarela e negra, mal-do-Panamá e broca-do-rizoma, “thap maeo” e “pacovã ken”, resistentes à sigatokas e mal-do-Panamá; “prata-graúda”, resistente ao mal-do-Panamá.
Preço Devido à pouca oferta de banana orgânica, há uma diferença de preço em relação ao produto tradicional. “Mas, o custo de produção tende a ser menor. Assim, no futuro próximo, quando houver maior oferta, o produto terá um preço mais acessível”.