Sete ficam feridos e cinco são presos em tumulto

22/05/2006

Sete ficam feridos e cinco são presos em tumulto

THIAGO REIS


 

Um tumulto envolvendo a Polícia Rodoviária Federal e produtores rurais de Sorriso (MT), à beira da BR-163, deixou um saldo de pelo menos sete feridos e cinco presos ontem pela manhã.
Os produtores, que bloqueavam a pista havia 20 dias, foram proibidos de impedir o tráfego na via. O juiz da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, Julier Sebastião da Silva, determinou, na semana passada, a desobstrução total da rodovia Cuiabá-Santarém.
Mas, segundo a PRF, quando os 48 policiais designados para fazer valer a decisão chegaram ao local, alguns manifestantes causaram tumulto, agitando os demais. Para acalmá-los, soltaram bombas de efeito moral e atiraram para cima. Cinco pessoas foram presas.
O secretário de Agricultura do município, Sardi Trevisol -que teve ferimentos leves no braço-, conta outra versão. Segundo ele, a prisão arbitrária de um produtor rural desencadeou o tumulto.
"A gente sabia da decisão e estava saindo da pista. Claro que sempre tem um ou outro mais exaltado, mas eles algemaram um produtor que não havia feito nada. O povo, então, se dirigiu à BR novamente para pedir que o soltassem e eles dispararam bombas."
Os estilhaços feriram algumas pessoas. Trevisol diz que foram seis, além dele. A operação da PRF foi realizada ainda em Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sinop. De acordo com o órgão, não houve incidentes nos outros locais.
A confusão em Sorriso ocorreu na mesma hora em que bases e sindicatos do movimento "Grito do Ipiranga", reunidos na capital, decidiam que rumo dar aos protestos até pelo menos o dia 25, quando um grupo interministerial anunciará medidas ao setor.
Segundo o produtor Rogério Salles, ex-governador do Estado, presente ao encontro, o governador Blairo Maggi (PPS) chegou a fazer um apelo para que cessassem os bloqueios em rodovias.
Lideranças do movimento também tentavam convencer os produtores de que os bloqueios já causaram um "desgaste" e que poderiam perder o apoio da população, já que há desabastecimento em algumas cidades.