Para começar a exportar, Bahia ainda precisa de organização

17/08/2009

Para começar a exportar, Bahia ainda precisa de organização


O Brasil produz um terço da carne bovina consumida no mundo e revela potencial de crescimento em sua participação. Neste contexto, a Bahia acompanha a tendência nacional, mas, para isso, precisará se organizar para começar a exportar. Estas foram as conclusões do agrônomo e consultor Nelson Piñeda, um dos autores do Plano de Ações Estratégicas para o Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Carne Bovina no Estado da Bahia, que apresentou um dos painéis de encerramento do 4° Congresso Internacional do Boi de Capim, realizado em Salvador.

Piñeda destaca o baixo custo de produção como uma das principais vantagens competitivas do Brasil no mercado internacional.

Além disso, ele destaca que o País vem atravessando um período de ajustes produtivos, o que favorece a organização da cadeia como um todo.

O consultor lembra que o boi foi a commoditie menos afetada pela crise internacional do ano passado. Mesmo com a crise, o boi registrou pequena queda na sua cotação e manteve seu preço acima da média histórica, ao contrário de outras culturas, como o algodão, por exemplo.

Alimentos – O mercado favorável aliado ao crescimento da população mundial, de acordo com o pesquisador Nelson Piñeda, indica a tendência da demanda por alimentos. O consumo de carnes, diz, acompanhou este movimento. Hoje, o Brasil registra uma média de 35 kg do produto ao ano por pessoa e a tendência é de aumento de 26% nesta demanda até 2017.

Quando o mercado de carne bovina é avaliado em um contexto histórico, Nelson Piñeda aponta como tendência um novo boom nas exportações de carne brasileiras a partir de 2010. Para acompanhar esta demanda, a tendência é de crescimento da produção, que pode refletir no aquecimento, também, do mercado interno, como vem acontecendo este ano, quando a quedas nas exportações, devido à crise, foi absorvida pelo consumidor brasileiro.

Para isso tudo, porém, o Brasil precisa transpor alguns desafios, avalia o consultor, como a retomada do crescimento econômico, as medidas de protecionismo dos países desenvolvidos, os investimentos em infraestrutura física, o atraso tecnológico do País e nas barreiras pecuárias, além das alterações climáticas.

Estado concentra maior potencial do Nordeste

Se o Brasil apresenta forte potencial para crescer nas exportações, a Bahia ainda tem muito o que avançar para atender a esta demanda. Ainda assim, o Estado tem papel de destaque tanto no contexto regional quanto internacional. Segundo o consultor Nelson Piñeda, Salvador concentra o maior potencial de crescimento de consumo do Nordeste.Além disso, o Estado está avançando na organização da sua cadeia produtiva.

Com o maior rebanho bovino do Nordeste, a Bahia tem como primeira barreira a ser transposta o abate clandestino, segundo o pesquisador.Neste sentido, a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) vem realizando trabalho que estima uma redução de 50% para 30% no abate ilegal dentro do Estado.

Piñeda destaca o trabalho realizado pelos produtores do oeste. De acordo com ele, um projeto reúne volume de produção, poder de negociação e investimento em tecnologias.Além disso, ele aponta alguns avanços, como a certificação da Bahia como área livre de aftosa com vacinação, o sucesso da última campanha que conseguiu cobrir 96% do rebanho do Estado e o controle efetivo do trânsito de animais na Bahia, através de 42 barreiras fixas e 22 móveis, além do trabalho nas chamadas “zonas tampão”.